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The Skin Game

Blogue português escrito por uma profissional de farmácia e dedicado à dermocosmética.

Protector solar - FAQ

Vamos à segunda parte do especial de protecção solar, em que reuni respostas a algumas perguntas que me fazem frequentemente e a perguntas que não me fazem mas deviam fazer. Desde reaplicação do protector a questões com a Vitamina D, vamos abordar várias temáticas dentro da protecção solar. Não se esqueçam de ver o primeiro post sobre os vários tipos de radiação.

 

A utilização de protectores solares provoca défice de Vitamina D?

Para quem não conhece o contexto desta pergunta, eis uma mini explicação rápida: a pró-Vitamina D que circula no organismo é convertida em Vitamina D activa através da radiação solar, nomeadamente a radiação UVB. Esta vitamina é uma das responsáveis pela fixação de cálcio nos ossos, o que leva ao surgimento da questão de que se fizermos uma protecção solar que não permita a radiação UVB chegar à pele, então podemos estar a promover um défice de cálcio ósseo.

A resposta a esta pergunta não é fácil, mais eis o consenso habitual: caso a pessoa não se exponha totalmente à radiação e faça uma protecção muito elevada e cuidada (como nos casos de antecedentes de cancro de pele) este défice acontece e carece de suplementação. Contudo, a radiação necessária por dia para que esta conversão aconteça é muito pequena e, considerando que a quase totalidade das pessoas não faz a protecção solar em doses adequadas (colocando muito menos protector do que o necessário e/ou não aplicando sempre), então a situação de défice será muito rara.

Conclusão: provoca, mas apenas em casos muito específicos e não na maioria da população como muitos sites que gostam de provocar pânico generalizado nos querem fazer crer.

 

Quando se deve aplicar protector solar?

Todos os dias, o ano todo, por norma. Se leram o post sobre os vários tipos de radiação já perceberam que até a luz visível tem efeitos nocivos para a pele, por isso é mesmo recomendado que seja feita a aplicação diária de protecção solar.

Quanto à reaplicação do protector, considerando que a degradação do protector solar aplicado na pele é feita em grande parte pela radiação, se passarem o dia dentro de 4 paredes diria que apenas é necessário aplicar uma vez por dia. Contudo, em casos de exposição extrema a recomendação é que a reaplicação seja feita a cada 2h e após contacto com água ou utilização de toalha.

 

O que são protectores solares resistentes à água?

De acordo com as normas europeias, existem duas categorias de protectores solares no que diz respeito à resistência à água: protectores solares resistentes à água e protectores solares muito resistentes à água. Traduzindo, os protectores resistentes à água são aqueles que, após imersão durante 40 minutos, ainda mantêm 50% do produto na pele (sem contar com enxugar a pele com toalha, que tira uma grande quantidade de protector, este índice apenas diz respeito a imersão em água). Os protectores muito resistentes à água mantêm 50% do produto na pele após imersão durante 80 minutos. Ainda assim, recomenda-se sempre a reaplicação após contacto com água, estes apenas dão mais segurança a pessoas que passam largos períodos dentro de água ou transpiram muito.

 

Se comprar um protector SPF50+ estou a comprar o melhor possível?

A resposta aqui é sim e não. A verdade é que um protector ser 50+ garante que existe protecção anti UVB muito elevada e que existe protecção anti-UVA de pelo menos 1/3 disso (vejam o post sobre as várias radiações).

Contudo, um protector factor 30 poderá ter um índice anti-UVA maior do que o de um protector factor 50+. Além disso, nem só de números se faz a protecção, pois interessa também o espectro de radiação coberto e se tem algum tipo de acção extra.

Portanto se não souberem avaliar os protectores ou não tiverem noção de recomendações, podem optar por um factor 50 como método de tentar ter a maior protecção possível, mas o ideal será sempre comparar os vários parâmetros se essa informação estiver disponível.

Nota: esta questão do rácio UVB/UVA é apenas válida nos produtos europeus e não se aplica ao resto do mundo

 

Se colocar vários produtos com SPF, a protecção solar é somada?

A resposta rápida é não. O SPF não é cumulativo, embora a utilização de uma combinação de produtos possa garantir uma maior cobertura de espectro de radiação (ingredientes diferentes bloqueiam radiações diferentes). Ao contrário do que a grande maioria das pessoas pensa, um SPF50 não oferece o dobro da protecção de um SPF25, como podem ver no gráfico abaixo é bem diferente disso:

 

spf grafico protecção solar.png

Em que passo da rotina aplico protector solar?

O protector solar é sempre o último produto a ser aplicado na rotina de cuidados de rosto e deve ser aplicado antes da maquilhagem.

 

Como posso reforçar a protecção ao longo do dia por cima da maquilhagem?

Primeiro há que avaliar se há de facto necessidade de reforçar a protecção solar. Na maior parte das ocasiões que é requerida maquilhagem é raro haver a necessidade de reaplicação de protector. Contudo, caso esse seja na mesma o caso, pode-se utilizar uma bruma ou um creme compacto com protecção solar. (apenas uma nota: a bruma da Bioderma foi reformulada e está aparentemente com a questão do entupimento resolvida e é mais adequada a pele oleosa)

Protecção solar - radiações e SPF

Está a chegar o verão e esta é uma óptima altura para fazer aqui uma semana especial sobre protecção solar (na verdade se tudo correr bem serão 15 dias, vamos ver como corre). A ideia aqui é responder às dúvidas mais comuns em relação à protecção solar, como qual o melhor tipo de protector, que protector escolher, como funciona a protecção solar, quando reaplicar e muito mais. Fiquem atentos aos posts desta semana, pois irei responder a todas elas.

 

As várias radiações

A primeira coisa a considerar quando se fala de protecção solar é na radiação. Isto porque apesar de nos anos 90 toda a gente só querer saber da radiação UV, nos últimos anos tornou-se evidente o papel das restantes radiações na pele. Portanto vamos vê-las uma a uma.

 

penetração radiação solar.PNG

 

Radiação UVB (ultravioleta-B): a radiação UVB é a principal responsável pelas queimaduras solares, sendo a radiação à qual diz respeito a classificação SPF (SPF15 protege de 93.3% de radiação UVB, SPF30 protege de 96.7% de radiação UVB e SPF50 protege de 98.3% de radiação UVB). É também responsável pelo efeito bronzeado, mas também pela carcinogénese, embora em muito menor proporção do que o UVA. Esta radiação é a principal responsável pela conversão de pró-vitamina D em Vitamina D activa.

Como proteger: filtros orgânicos como triazinas e triazonas, filtros minerais (micronizados ou não)

 

Radiação UVA (ultravioleta-A): a radiação UVA é a principal responsável pela carcinogénese, pigmentação e pelo fotoenvelhecimento. Apesar de existirem alguns sistemas de classificação de UVA em protecção solar (como o caso do PA+, PA++, PA+++ ou fazerem uma equivalência ao UVB), estas classificações não estão legisladas. Contudo, a lei Europeia prevê uma condição no que diz respeito ao rácio UVB/UVA - a protecção UVA tem de ser pelo menos um terço da protecção UVB (isto não acontece nos EUA e a grande maioria dos protectores solares americanos falham no cumprimento desta regra europeia, elevando o SPF mas não acompanhando proporcionalmente no UVA).

Como proteger: filtros orgânicos como triazinas e triazonas, filtros minerais (micronizados ou não)

 

Radiação IV (infravermelha): nos últimos 10 anos a radiação IV tem sido alvo de investigação intensa pelo facto de se ter descoberto que, tal como a radiação UV, a IV também provoca danos na pele. Explicando de forma simples, existem uma série de genes que respondem a estimulação por radiação IV, sendo que os mais releventes são os que dão origem à matriz metaloproteinase-1 que degrada as fibras de colagénio e elastina, levando à formação de rugas profundas e rídulas. Além desta degradação, descobriu-se também que a radiação IV inibe a síntese de colagénio. Já o papel da radiação IV na génese do cancro tem sido menos estudado, mas parece estar associada a formas malignas mais agressivas de cancro.

Como proteger: pigmentos inorgânicos (que têm cor, conferindo tonalidade ao produto que pode torná-los de difícil utilização), filtros minerais não micronizados (mas deixam aspecto esbranquiçado, acinzentado na pele) e/ou uma combinação de antioxidantes potentes (principalmente beta-caroteno tópico, ácido ferúlico ou extracto de grainha de uva).

 

Radiação HEV (visível de alta energia): as últimas inovações no que diz respeito à protecção solar estão a acontecer a nível da radiação visível, principalmente no que diz respeito à luz azul devido à sua capacidade de penetração na pele. A principal problemática relacionada com este tipo de radiação é a pigmentação da pele principalmente em fotótipos altos (pele mais escura), levando a situações de melasma. Além disto, foi também descoberto que a luz azul também aumenta a expressão de matriz metaloproteinase-1 e ao aumento muito significativo de espécies reactivas de oxigénio, conduzindo ao fotoenvelhecimento. Ainda não existem estudos (pelo menos do meu conhecimento) quanto à influência da HEV na génese do cancro.

Como proteger: combinação de antioxidantes potentes (por exemplo um sérum antioxidante), filtros minerais não micronizados (conferem um aspecto esbranquiçado/acinzentado à pele) e/ou óxido de ferro (tem uma cor avermelhada e confere coloração intensa aos protectores). O desenvolvimento de protecção contra este tipo de radiação ainda está muito no início, mas já começam a surgir no mercado patentes neste sentido, como o Liposhield® HEV Melanin que foi especificamente desenhado para combater a radiação HEV e é um composto de melanina fraccionada. Este ano surgiram também o Parsol® Max II e o Soliberine® que prometem oferecer protecção contra todo o espectro, incluindo IV e luz azul.

 

Como fazer a melhor protecção possível dentro desta informação? O meu conselho seria fazer uma boa protecção com SPF 30 e que tenha um bom rácio UVB/UVA (muitas marcas divulgam abertamente estes índices) e utilizar um bom sérum antioxidante antes do protector solar. Não se preocupem, haverá um post com sugestões de protecção solar para diversas situações em breve.

Melhores e piores protectores solares de rosto

Por esta altura já viram a minha cara 500 vezes e já sabem que sou branca. Ou melhor, ando ali perto do trasnparente. Isto significa que durante o ano inteiro eu uso protector solar no rosto, o que significa que já testei muito protector solar nesta vida. Assim, trago-vos a minha opinião sobre os oito protectores solares de rosto que podem ver na imagem (em versão curtinha, senão isto era um post de 3km). Falo-vos de protectores solares de rosto para pele oleosa principalmente, mas menciono também três que funcionam bem em pele seca.

protector solar rosto melhores piores oleosa seca.

Isdin FusionWater SPF 50+: começo por um dos meus favoritos, o FusionWater entrou na minha rotina o ano passado (sim, ele só foi lançado em Portugal este ano, mas em Espanha surgiu o ano passado) e veio para ficar. É extremamente fluido e não tem qualquer tipo de interacção com produtos que coloquei por cima. A protecção é bastante elevada e dá um efeito seco à pele que não é fácil de conseguir. É sem dúvida um dos que recomendo.

 

The Body Shop Vitamin E Moisture-Protect Emulsion SPF 30 PA +++*: particularmente eficaz em peles normais e especialmente em pele com tendência a desidratar. Esta emulsão é bastante leve, mas ainda assim acho-a mais indicada para peles normais do que para peles mistas ou oleosas. Se tiverem pele mista com tendência a desidratar fortemente na época de mais frio, este é um dos que vos recomendo, porque dá bastante hidratação sem dar oleosidade.

 

YOUTH LAB. Daily Sunscreen Gel Cream SPF 50 PA +++*: o meu favorito e a escolha habitual do dia a dia actualmente. Este protector para peles oleosas tem a vantagem de já integrar hidratante e ter uma cor ligeira que funciona como uniformizador mesmo em peles muito brancas. Para pessoas preguiçosas como eu (à noite ponho tudo na cara, mas de manhã só quero mais 5 minutos na cama) é o ideal, pois evitar o compasso de tempo entre produtos para permitir que sejam absorvidos. Não é o mais seco ao toque por causa do hidratante, mas se compararem com o efeito de outro hidratante + protector solar, a sensação é bastante parecida. Funciona muito bem por baixo de toda a maquilhagem que já testei por cima dele.

 

Bioderma Hydrabio Perfecteur SPF 30: o meu protector solar de eleição no inverno passado (tenho pele mista com muita tendência a desidratar com o frio). O SPF30 é mais do que suficiente para a época de inverno e permitiu-me saltar o passo da hidratação mais intensa durante a manhã. Pessoas com pele extremamente oleosa talvez não se dêem bem com ele, mas se tiverem pele normal a seca ou mista com tendência a desidratar, este é sem dúvida um dos que aconselho sem pensar duas vezes. Em pele seca provavelmente precisarão de colocar hidratante por baixo.

 

The Body Shop Skin Defense Multi-Protection Essence SPF 50 PA ++++*: Este foi sem dúvida a maior surpresa dos últimos tempos, já que é bastante equivalente ao FusionWater a nível de textura e espalhabilidade. Tirando esta coisa de agora usarem a palavra "essência" em todo o lado, a TBS fez um trabalho fenomenal com este protector solar e colocou-se ao nível da protecção solar de farmácia. Resulta muito bem como base de maquilhagem e não reagiu com nada do que coloquei por cima.

 

YOUTH LAB. Daily Sunscreen Cream SPF 50 PA +++*: Este não é dos que uso, porque é claramente para pele seca, mas como se tem vendido a rodos para pessoas com pele seca, não podia deixar de o referir. Este é o equivalente ao que uso, mas na versão para pele seca, ou seja tem hidratante, tem protecção solar e tem cor que funciona em peles branquinhas. É o protector solar para pessoas preguiçosas de pele seca ;)

 

Sesderma Repaskin Facial SPF 50*: a minha relação com este protector data de há um ano e meio, quando fui à formação da marca sobre os novos protectores solares. Fiquei logo bastante curiosa com ele e acabei por arranjá-lo no fim do verão passado com a ideia de o testar como possível substituto para o FusionWater. Como a utilização de nanotecnologia era algo que nunca tinha testado em solares - a minha sogra usa actualmente o da Filorga, mas na altura não tinha qualquer feedback - quis experimentar. Para quem quer usar protecção solar mineral, este é mesmo uma boa opção. Diria que em termos de tipo de pele funcionará melhor em pele normal a seca. (apenas uma nota de que apesar disto estar marcado como recebido para avaliação, eu na verdade comprei este protector - o que recebi ainda está fechado na embalagem porque era um cromo repetido do que já tinha por cá)

 

La Roche-Posay Anthelios XL Anti-Shine SPF 50: Não. Simplesmente não. Se há protector que experimentei e disse mal da minha vida, foi este. Não sei o que passou pela cabeça desta gente, mas este protector reage com TUDO o que lhe ponho em cima. Não há base que ao fim de meia hora não se esteja a desfazer em floquinhos (só assim o tempo suficiente para uma pessoa achar que está a sair de casa com boa cara e chegar ao pé de pessoas com a cara a desfazer-se). A versão "normal" deste protector, a Ultra-fluida, consta que é melhor, mas a menos que me caia no colo não vou arriscar e comprar, porque fiquei mais do que queimada com este. E não sou a única, porque o ano passado lembro-me de comentar isto no FB do blogue e pelo menos duas pessoas terem dito que lhes tinha acontecido o mesmo.

 

Menções honrosas para produtos que não tenho comigo:

Frezyderm Sunscreen SPF 50: Para quem gosta do efeito de veludo que geralmente é associado aos silicones, este protector vai ser genial. Supostamente a delegada da marca ia deixar um para mim na minha farmácia do costume, mas não sei se entretanto se esqueceu ou se até já está por lá. Se aparecer por aí, eu faço review. Mas do que já pude experimentar, este é um óptimo protector solar, com uma espalhabilidade acima da média e com o efeito de veludo na pele para quem gostar.

The Body Shop Vitamin C Sunscreen SPF 30: este é o protector solar da minha mãe há uns 4 anos. Não o troca por nada (acreditem, já lhe ofereci alguns e volta sempre a este). Para quem tem tendência a ter manchas e tem a pele mais seca, pode claramente apostar neste protector solar. As manchas da pele da minha mãe reduziram imenso e ela sente a pele hidratada ao longo do dia.

 

* produto gentilmente fornecido pela marca para avaliação

Perguntas frequentes: protecção solar

Já existe cá no blogue um post que fala sobre os melhores ingredientes e sobre os vários tipos de protecção. Aqui vamos responder a algumas das perguntas mais frequentes que me fazem acerca da protecção solar.

 

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Qual o factor de protecção que devo escolher?

Dever-se-á optar por um SPF30 ou superior, qualquer que seja o tom de pele. Se eu só pudesse escolher um factor de protecção para existir no mundo, seria o SPF30 – já protege de 97% da radiação e não dá a falsa sensação de segurança do SPF50, que protege de 98% da radiação. Pessoalmente uso SPF50 por ser muito branca e não ter uma pele sensível que posso reagir mal ao SPF50, mas não é necessário fazê-lo.

 

Protecção mineral ou química?

Antigamente para peles sensíveis era sempre recomendada a protecção mineral, com todos os seus defeitos (espalhabilidade difícil, efeito branco na pele e na roupa, etc). Hoje em dia estas características estão atenuadas em grande parte devido à diminuição do tamanho das partículas em processo de micronização ou nanotecnologia. Por outro lado, a protecção solar química evoluiu muito, tornando-se muito segura e apta para peles sensíveis (especialmente as triazinas e triazonas como o Tinosorb ou Univul). No fundo, desde que se escolha o protector com a tecnologia mais avançada, pode-se optar por qualquer um deles.

 

Devo reaplicar o protector solar no dia a dia?

Depende da exposição. O protector solar é degradado mediante contacto com radiação solar, o que significa que se aplicarmos de manhã, formos para o trabalho num escritório sem exposição solar directa (as janelas filtram parte da radiação, mas não toda) e voltarmos ao fim do dia, então a aplicação de manhã é provavelmente suficiente. Contudo, se estivermos expostos a radiação durante um tempo alargado, a recomendação é reaplicar a cada 2h.

 

Os protectores solares são resistentes à água/suor/toalha?

Existem ingredientes que conferem protecção solar que têm maior afinidade para a queratina do que para a água. Isto significa que têm menos tendência a passar da pele para a água, conferindo alguma protecção nestas situações. Contudo, por norma estabelece-se que essa protecção não dura mais de 40 minutos, ao fim dos quais a reaplicação é obrigatória. Qualquer protector deve ser reaplicado após secagem com toalha.

 

Posso aproveitar o protector solar do ano passado?

Como protector solar, não, já que os ingredientes que conferem a protecção degradam-se rapidamente. Não é que o creme se estrague, mas se o compraram como protector solar, já não o vão ter como tal. O período após abertura da maioria dos solares é de 12 meses, havendo alguns que duram 9 (lembro-me, por exemplo, da Bioderma). E antes que me perguntem "e como é que sei se a farmácia não está a vender solares do ano passado?" (juro que já me perguntaram isto várias vezes) - o que interessa é o período pós abertura. Claro que a data de validade também, mas essa basta pegarem na embalagem e verem. O facto do protector ser do ano passado não influencia nada desde que não tenha sido aberto.

 

A protecção solar impede a formação de vitamina D?

Esta é uma questão complicada e há cada vez mais artigos científicos sobre o assunto. Sim, usar uma quantidade adequada de protecção solar diminui exponencialmente a conversão da Vitamina D na sua forma activa (esta conversão dá-se graças à luz UV). Por outro lado, a questão é mais complicada do que isso, porque à medida que vão saindo cada vez mais artigos sobre o assunto, chega-se à conclusão que mesmo em populações muito expostas a luz UV e sem hábitos de protecção solar adequada, continuam a existir défices de Vitamina D. Há também outra parte a ter em conta: não podemos simplesmente parar de aplicar protector solar só porque existe risco de diminuição dos níveis de Vitamina D no corpo. Mantenham estes valores controlados por análises e, se necessário, ingiram suplementos de Vitamina D. Nada justifica aumentaram exponencialmente o risco de melanoma, especialmente quando existem formas de controlar a situação. Até porque uma grande maioria das pessoas que utilizam protecção solar não a utiliza nas doses correctas e há sempre alguma radiação a atingir a pele - e a converter a Vitamina D na sua forma activa.

 

Que tipos de produtos com protecção solar é que existem?

- Protectores solares propriamente ditos (emulsão/creme)

- Protectores para pulverizar/em bruma

- BB/CC Creams

- Hidratantes com protecção solar

- Bases com protecção solar (líquidas/compactas) – aqui não incluo bases em pó, porque é ridículo afirmar que um pó consegue produzir uma protecção solar adequada (sim, estou a olhar para vocês Lush e para todos os pós de maquilhagem com SPF - ganhem juízo)

O único problema de alguns hidratantes e maquilhagem com protecção solar é que utilizam apenas um ingrediente de protecção solar que confere alguma protecção UBA e UVB e podem dizer que tem protecção de largo espectro. Se quiserem optar por um produto que não seja especificamente protector solar, garantam que a "protecção de largo espectro" é garantida por mais do que um ingrediente, já que nenhum ingrediente sozinho consegue cobrir de forma eficaz todo o espectro de radiação.

 

Devo esperar algum tempo entre a aplicação do protector e a exposição ao sol?

No caso dos protectores minerais não há necessidade, no caso dos protectores químicos convém esperar 20-30 minutos entre a aplicação e a exposição solar.

 

Se colocar vários produtos com SPF a protecção aumenta?

Não, se forem aplicados com algum tempo de intervalo para absorção, o factor de protecção é igual ao factor máximo aplicado. Se forem aplicados quase em simultâneo, há um efeito de diluição e pode-se obter um factor mais baixo do que o aplicado teoricamente. Nunca em momento algum os factores de protecção irão ser somados.

 

solares 2.JPG

 

Texturas mais espessas protegem mais?

Não. A protecção solar não está dependente da nutrição - são ingredientes diferentes. A única vantagem numa textura mais espessa é que, exactamente por ser espessa, demora mais tempo a absorver e acabamos por nos aperceber se colocámos ou não protecção em toda a área corporal. Contudo, especialmente no rosto isso é uma questão que nem sequer se põe - se criarem um método de aplicação em que garantem que cobrem todo o rosto, não há razão nenhuma para uma textura espessa proteger mais.

 

Em que passo da rotina aplico o protector solar?

Deverá ser o último passo da rotina de rosto, antes da maquilhagem.

 

Pode-se aplicar protecção solar na zona do contorno dos olhos?

Sim e deve-se, já que é uma zona de pele muito fina que é menos resistente e que facilmente mostra os primeiros sinais de idade. Geralmente indicam-se os protectores minerais como sendo os mais indicados para esta zona - neste caso o efeito de reflexão de luz é prático, pois também ajuda a disfarçar as olheiras e acaba por não ter muitas desvantagens. Um hidratante de olhos com protecção solar já deverá ser suficiente e não é necessário adquirir um protector à parte para esta zona. E sim, apesar de geralmente ser recomendado que o creme seja aplicado na zona do osso, se querem protecção solar na zona do contorno dos olhos, vão ter de aplicar directamente - certifiquem-se apenas que não escolhem um creme muito rico para evitar olhos inchados e mília.

 

É necessário protector solar para o cabelo?

Não é absolutamente necessário, mas como tudo, ajuda. O sol danifica facilmente a queratina que constitui o cabelo, facilitando a quebra e as pontas espigadas. Além disso, os microcristais de sal que ficam no cabelo após as idas ao mar potenciam a acção da radiação, danificando ainda mais o cabelo. Não existe uma escala oficial de protecção solar (como o SPF no caso da pele), mas existem alguns sistemas como o KPF da René Furterer.

 

Existem protectores solares específicos para cicatrizes?

Não, o único conselho no caso de uma cicatriz é aplicar uma protecção elevada - SPF50, de preferência uma protecção mineral (óxido de zinco e dióxido de titânio). Contudo, se a cicatriz for recente, o ideal é não expor ao sol (geralmente recomenda-se evitar a exposição durante 1 ou 2 anos, dependendo do tamanho da cicatriz, porque a exposição solar vai escurecê-la e torná-la mais evidente.