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The Skin Game

Blogue português escrito por uma profissional de farmácia e dedicado à dermocosmética.

Review: Neutrogena T-Gel Champô

Tipo de produto: champô

Função: anti-caspa oleosa

Ingredientes principais: coaltar, ácido salicílico

Quando usar: 2-3x/semana

Textura: gel

Embalagem: embalagem de plástico

Quantidade: 200ml

Preço: 16€

Onde comprar: farmácias, Skin

 

Este champô foi daqueles produtos que me foi passando despercebido até que uma leitora habitual, que é médica, me perguntou a opinião sobre ele porque sabia que muitos colegas prescreviam este champô para dermatite seborreica no couro cabeludo (caspa oleosa). Disse-lhe que realmente não tinha experiência com o produto, mas que tinha noção que muita gente estava contente com ele. Sabem como é, nas farmácias há gamas expostas e gamas que estão nas gavetas - e este é decididamente um dos que está nas gavetas, não só porque é feiinho que dói, mas porque essencialmente a venda passa por prescrição ou recomendação do farmacêutico.

Dito isto, decidi que era boa hora para experimentar, até porque o meu champô habitual estava a acabar. Desde essa altura que não o largo e farto-me de o aconselhar a toda a gente que tem caspa oleosa, uma vez que o ser feio é mesmo o único defeito que este champô tem. A textura é super leve e faz espuma rapidamente e, ao contrário de alguns champôs anti-caspa oleosa, não deixa o cabelo completamente deslipidado. Os resultados são visíveis desde a primeira utilização porque ele ajuda mesmo a remover a caspa que já existe, e tem um efeito de prevenção bastante notório. Mesmo a nível de preço é bastante simpático, uma vez que a embalagem é de 250ml.

Não há muito mais a acrescentar sobre este produto. É agradável de usar, é eficaz, deixa o cabelo macio na mesma e não faz um rombo na carteira. E isto é tudo o que eu peço de um champô de tratamento.

 

* este post contém links de afiliados

Probióticos e Prebióticos em cuidados de rosto

Cada vez mais se assiste a um aumento de cuidados de rosto que dizem conter pre e probióticos, prometendo diversos benefícios para a pele e para as mais variadas condições, mas interessa saber o que são estes ingredientes e que evidência científica está por detrás do marketing.

 

Flora natural da pele

Primeiro que tudo, há que falar um pouco da pele no estado saudável. No seu estado normal, a pele tem à sua superfície uma variada gama de bactérias e fungos que se denominam de comensais (é normal estarem lá e não são necessariamente patogénicos - podem tornar-se num caso de um desequilíbrio ou podem nunca ser patogénicos). Estas bactérias são essenciais à pele uma vez que a sua existência dificulta a colonização por microrganismos patogénicos que podem induzir doença ou desequilíbrios na pele. Além disso, já foi demonstrado que algumas das espécies contribuem de forma positiva para o sistema imunitário e para o normal funcionamento da pele.

 

O que são Pre e Probióticos

Originalmente o conceito de prebiótico centrava-se em ingredientes que beneficiam o portador através do facto de aumentarem o crecimento ou estimularem a actividade das bactérias comensais do cólon. Hoje em dia a definição alargou-se para incluir ingredientes que têm um efeito benéfico nas bactérias comensais, sejam do cólon ou de outro órgão, como o caso da pele. Geralmente considera-se que o prebiótico ideal é o que tem efeitos benéficos na flora comensal e inibe a flora patogénica.

Os probióticos, por outro lado, são organismos vivos que têm efeitos benéficos no organismo - um exemplo comum são os Bifidus que frequentemente são aconselhados para estimular o sistema imunitário quando ingeridos ou as soluções de reidratação oral. Uma questão aqui a ter em conta é mesmo a parte do "vivos", que como podem imaginar é extremamente difícil de conseguir em aplicação tópica.

 

Pre e Probióticos em produtos de cuidados de rosto

Vamos então ao cerne da questão... Há estudos que comprovem benefícios de pre e probióticos em relação à pele? Há, vários até. O problema vem no "mas" que vem a seguir... mas são 95% estudos de ingestão de pre e probióticos e não relativamente à aplicação tópica dos mesmos - e se lêem o blogue, por esta altura já estão bem cientes que o facto de um estudo dizer que um ingrediente funciona bem pela via de ingestão, não significa que vá ter efeito noutra via qualquer, como é o caso da tópica.

Falando brevemente da ingestão, há vários estudos que comprovam que alguns probióticos têm uma eficácia marcada principalmente em duas patologias: dermatite atópica (melhoria da função barreira da pele, aumento dos níveis de hidratação e redução da prevalência da DA em crianças) e acne (melhoria das lesões, redução da P. acnes, reequilíbrio da produção de sebo e redução da inflamação). Existem alguns estudos que denotam ainda alguma eficácia na hipersensibilidade e que indicam que poderá haver vantagens no que diz respeito ao fotoenvelhecimento.

Quanto à aplicação tópica, como referi a questão já é mais complexa e os estudos são bem mais escassos. Contudo, as duas maiores áreas de intervenção da aplicação tópica permanecem as mesmas que na ingestão: acne e dermatite atópica. Uma das marcas que tem apostado em investigar este assunto é a La Roche-Posay, e como devem imaginar é sempre complexo distinguir os resultados de uma investigação que claramente não é livre de conflitos de interesse - os estudos da marca focam-se numa bactéria presente nas termas da LRP e que tem sido incluída nas fórmulas da marca mais recentemente. De qualquer forma, os estudos são relativamente promissores e parecem indicar que esta é uma área com interesse potencial.

No que diz respeito aos prebióticos, muito, mas mesmo muito pouca coisa tem sido estudada no que diz respeito à pele e existem poucos estudos que explorem isto. Existe potencial numa série de ingredientes, mas não há estudos que suportem o seu uso e as declarações sobre a sua eficácia.

 

Alguns produtos com probióticos

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 A Aurelia é por excelência uma das marcas que tem colocado os probióticos na ribalta, uma vez que toda a gama gira em torno do conceito - o sérum e o bálsamo de limpeza são, por excelência, os produtos mais falados da marca. A Super Facialist lançou toda uma gama dedicada aos probióticos e a Clinique tem uma base anti-vermelhidão que usa também essa abordagem. A La Roche-Posay tinha já o bálsamo AP+ para dermatite atópica e agora reformulou o Effaclar Duo+ para conter também probióticos.

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