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The Skin Game

Blogue português escrito por uma profissional de farmácia e dedicado à dermocosmética.

Da saga do casamento - parte 2

Coisas que não mudaram e provavelmente nunca vão mudar: continuo a referir-me ao Nelson como o meu namorado e ele continua a referir-se a mim como a namorada dele - fazemos quase high fives quando um de nós se lembra de dizer noivo/noiva. Tudo aponta para que passe para pessoa casada sem nunca me ter habituado a dizer noivo e não tem mal nenhum. É uma mistura de esquecimento com o facto de achar que dizer noivo é quase um "uuuhhh já viste o meu anel? eu vou casaaaaar" quando na realidade as pessoas que não sabem por esta altura não precisam de saber e não têm nada a ver com o assunto. Nada contra quem usa noivo/noiva, é só mesmo a sensação que tenho quando uso a palavra.

 

Coisas que não mudaram, mas que já mudavam: toda a gente tem opiniões vincadas sobre casamentos. Rebolo a rir com posts de "7 coisas obrigatórias no seu casamento" e "Regras que não pode esquecer", porque geralmente metade do que referem não se enquadra minimamente com aquilo que queremos para nós. Toda a gente tem uma lista infindável de "tens de" e "é assim que se faz" que na realidade estão a milhas de serem obrigatórios. Outra coisa que me deixa possessa é todo o frufru de que "o casamento é o dia da noiva". Ora porra, mas então eu vou casar comigo própria ou quê? A ideia base disto tudo não é celebrar a união com outra pessoa que é igualmente importante nesse dia? Note-se que já cheguei a dar este sermão a fornecedores, porque detesto quem vem ter comigo e ignora a pessoa de 1,80m que está ali ao meu lado.

 

Coisas que mudaram, felizmente: as coisas abradaram (e muito). Temos ido contratando um ou outro fornecedor (já contratámos transporte, músicos para a igreja e DJ), temos ido a alguns eventos (adorámos o da Simplesmente Branco e aconselho-vos a que apostem nesse estilo de eventos - showrooms pequenos de quintas com vários fornecedores com quem habitualmente trabalham ou organizados por wedding planners - pelo menos para nós foi bem melhor do que o caos absoluto da Exponoivos). As coisas estão a andar lentamente, que é o que se quer até porque só casamos daqui a um ano. Já temos padrinhos e menina das flores (que vai estar numa idade óptima para fazer uma birra à porta da igreja, daquelas mesmo épicas), já temos os fornecedores mais importantes. Só me chateia não termos igreja porque só em Setembro permitem fazer marcações para 2018.

 

Conselhos para quem vai andar nestas andanças:

  • Ritmo e opiniões alheias: façam as coisas ao vosso ritmo e (só) ouçam os conselhos de quem vos conhece bem. O casamento é vosso e têm direito de terem aquilo que querem, as regras e obrigatoriedades são mais linhas orientadoras do que leis escritas em pedra. MAS vocês podem realmente a não considerar algum aspecto que outras pessoas se podem lembrar. Connosco tem sido a família próxima e amigos próximos a dar feedback.
  • Fornecedores: falem com o número de fornecedores que vos parecer certo. Nós somos um casal que opta por ver o menor número possível de coisas porque optámos sempre por pesquisar muito online e pedir conselhos aos nossos outros fornecedores (que estão habituadíssimos e acabam por conhecer imensos fornecedores à conta disso. Eu sou a pessoa que depois de ver a segunda quinta fez birra porque não queria ver mais nenhuma e foi levada quase pelas orelhas pelo noivo e madrinha para ver a terceira quinta - sim, ficámos com a segunda e só vimos três ao todo. Também contratámos os únicos músicos com quem reunimos e os fotógrafos foi igual. Isto não significa que este tipo de abordagem seja a certa para toda a gente, por isso se acharem que precisam de visitar 20 quintas para terem a certeza que escolheram a melhor possível e isso não vos ocupa demasiado tempo para aquilo que querem gastar, força.
  • Pesquisa: esta foi a parte que mais nos custou, o "por onde é que começo?". Para mim a resposta acabou por ser fácil quando parei de panicar - comecei pela maquilhadora. Sempre soube que seria a Bárbara Brandão a maquilhar-me se um dia me casasse, por isso muita coisa partiu do perfil de Facebook dela. Vi os fornecedores com quem trabalha (muitas vezes taggam todos os fornecedores de um casamento numa foto e fica fácil pesquisar coisas com as quais se identificam). Foi através da Bárbara que descobrimos os nossos fotógrafos, transporte e cabeleireira. Depois aconselho-vos sites como o Casamentos.pt (se bem que aquele fórum, como muitos, está cheio de gente azeda que gosta de chamar maluco a todo o ser humano que discordar da sua opinião), o Zankyou (os vencedores dos Ziwa foram um bom modo de pesquisar fornecedores na nossa área) e o Simplesmente Branco.
  • Falem com quem se casou recentemente: os nossos amigos que casaram em Setembro têm sido uma ajuda preciosa. Muitas vezes só precisamos de saber coisas como "como é o procedimento normal para fazer X?" e quem melhor do que eles para explicar? (obrigada J, tens sido uma fofa com paciência infinita!)
  • Se estiverem a dar em malucos, parem para respirar. É suposto estarem a preparar um momento muito feliz das vossas vidas, por isso se só parece um trabalho extra, respirem e tirem uma folga. A ideia não é fartarem-se um do outro e ficarem sem tempo para mais nada.

Casamento - primeiras coisas a fazer

Bem, fez ontem um mês que fiquei noiva (estou a escrever isto a dia 18). A vida tem sido um mini reboliço, mas acho que finalmente vai acalmar (aliás, tenho a madrinha a dizer que estou proibida de googlar mais coisas, mas tanto ela como eu sabemos que isso não vai acontecer... mas hey, boa tentativa!).

Acho que a maneira mais fácil de organizar isto é por tópicos, por isso vamos lá, pode ser que vos ajude em alguma coisa, que no início vi-me completamente desorientada.

 

As decisões que orientam tudo o resto

 

No dia a seguir à proposta pusemo-nos a fazer a lista de convidados. Percebemos rapidamente que tudo o resto estaria dependente disto, portanto foi por aí que começámos. Chegámos à conclusão que concordamos nisto de querer um casamento apenas com as pessoas mais próximas e ficámos em cerca de 80 pessoas, entre família e amigos.

Daí partimos para o nosso primeiro pseudo orçamento, que serviu mais para listar itens em que vamos gastar dinheiro do que propriamente para estipular um verdadeiro orçamento, porque esse só mesmo quando começámos a pedir valores aos vários fornecedores. A lista de despesas escondidas é infindável, mas por esta altura estamos seguros de que estamos a contemplar mais ou menos tudo o que queremos incluir (é fácil uma pessoa esquecer-se que se quer levar com arroz na tola vai precisar de o colocar em algum sítio, ou que a lingerie da noiva também conta para as despesas).

 

Aplicações e sites

 

O grande auxílio nestas coisas tem sido o site casamentos.pt (e a respectiva app), mas o Zankyou também tem sido indispensável. Além disso, o Pinterest é a escolha óbvia para guardar imagens de que gosto, para mais tarde servirem de referência em coisas como vestidos, penteados, bouquets ou bolos de casamento. Sei que há diversos blogues de casamentos, mas ainda não encontrei nenhum que me agradasse. Também sei que existem revistas sobre o assunto (e eu sou uma pessoa que até acha piada a ter uma ou duas), mas ainda não encontrei nenhuma à venda e por isso não vos posso dizer nada sobre elas.

 

Pesquisas e fornecedores

 

Só tive dois casamentos este ano e apenas um deles foi aqui na zona do Porto, tirando isso acho que há uns 10 anos que não ia a um (e tinham sido todos ainda no Ribatejo), por isso a minha experiência com sítios é muito limitada. À medida que fui anunciando às pessoas, fui também pedindo ajuda. Ia perguntando quem conhecia sítios, igrejas, floristas, o que fosse. Fui para a internet e comecei pesquisas. 

Houve coisas que foram muito fáceis - os fotógrafos, por exemplo. Como sempre soube que seria a Bárbara Brandão a maquilhar-me, fui à página dela e comecei a abrir links para equipas/fotógrafos que me interessavam a nível estético. Ela partilha frequentemente fotos de noivas que foram publicadas pelos fotógrafos, e por isso acabou por ser uma boa forma de os procurar. Quando tinha uma lista de pessoas que nos interessavam, enviei emails a pedir orçamentos e depois perguntei à Bárbara qual a opinião dela sobre uns fotógrafos que nos tinham ficado debaixo de olho. Com a confirmação daquilo que esperávamos, partimos para a contratação da Teresa e Dado, dos Arte Magna. Tudo neles parecia certo, e depois de termos reunido com eles, decidimos que era mesmo aquele tipo de gente boa onda e talentosa que queríamos ao nosso lado no dia do casamento. Um verdadeiro momento "say yes to the photographer". (vocês já viram os álbuns que eles fazem? São a coisa mais linda à face da terra!)

Contudo, aquilo que me foi valendo sempre foi o fórum do Casamentos.pt, porque a partilha de informação é imensa e com uma boa dose de paciência e algumas horas investidas em pesquisa, acabei sempre por encontrar aquilo de que precisava. Por outro lado, gosto sempre de pesquisar quem está destacado na Zankyou como fornecedor de topo, mas outra coisa que também descobrimos é que, por muito que muita gente goste de um serviço, não significa que ele seja o mais adequado para nós. Como somos pessoas muito low-profile, os fornecedores que gostam de elaborar um casamento impactante e com muita coisa a acontecer não são aqueles em que nos revemos, embora sejam perfeitamente capazes de realizar o casamento de sonho de muita gente.

 

Pedidos de orçamentos

 

Não sei se já se aperceberam, mas eu tenho muito mau feitio no que diz respeito a atendimento ao cliente (ou muito bom feitio quando o atendimento é impecável, vendo-me facilmente a um atendimento cuidado). É um bocado aquele síndrome de "eu trabalho em atendimento ao cliente e não vos exijo mais do que exijo a mim própria. Se vocês não sabem fazer um atendimento de qualidade, vou dar o meu dinheiro a outra casa que esteja mais interessada".

Se já passaram por esta saga de pedir orçamentos, já chegaram à mesma conclusão que eu - metade dos fornecedores não vos dão orçamentos sem ser presencialmente. E eu não voltei a contactar nenhum dos que me disse que "há muitas variáveis a discutir, não querem marcar uma reunião para vermos os detalhes?". Gente, há milhares de fornecedores., se eu não tenho qualquer referência vossa e se não me enviam orçamentos, não tenho interesse em vocês. Não tenho tempo nem paciência para reunir com 20 fornecedores só para tentar perceber se se enquadram no nosso orçamento e naquilo que esperamos da vossa parte. A quinta que acabámos por escolher respondeu-nos ao pedido em menos de 24h com descrição detalhada do menu e uma tabela de preços, tendo os devidos acréscimos sinalizados e uma indicação de que podíamos reunir para discutir mais pormenores. Percebem, pessoas? Não é assim tão difícil.

Uma coisa que decidi fazer e que chocou muita gente foi começar a pedir orçamentos a vários tipos de fornecedores (quintas, fotógrafos, música, transporte, etc.), mas a minha pergunta é: como é que vocês conseguem estabelecer um orçamento se não sabem qual o valor médio que cada tipo de fornecedor cobra? Eu pedi orçamentos a empresas que provavelmente só contrato daqui a um ano, mas eu precisava de ter noção real dos valores praticados, e isso só consegui mesmo perguntando. Não quero estar em pânico 6 meses antes do casamento porque achávamos que 3 ou 4 fornecedores iam cobrar metade do que realmente cobram e não sabemos o que fazer à última hora. Assim deu para perceber quais as nossas prioridades, largar algumas ideias prévias que tínhamos e adoptar outras tantas com as quais não contávamos.

 

Pessoas malucas

 

Isto há sempre, certo? Primeiro que tudo, tive uma fase que achei que ia mandar um berro da próxima vez que alguém me dissesse "o quê??? só vão casar em 2018????". Aparentemente as pessoas gostam de ficar ofendidas com escolha de datas que em nada lhes dizem respeito (porque na verdade a maioria das pessoas que teve este tipo de reacção não está convidada para o casamento... acho que quem nos conhece sabe que somos pessoas que gostam de planear as coisas com muita tranquilidade e portanto não estranham). Agora já tenho um discurso preparado de "sim, queríamos pelo menos um ano para preparar as coisas e queremos casar perto do nosso aniversário de namoro, por isso sim, 2018". Se começo a ficar maluca com coisas destas, no dia em que tenha filhos e em que toda a gente me ofereça conselhos não solicitados, eu expludo. Portanto mais vale começar a treinar a paciência, dizer "obrigada pela opinião" e continuar com a minha vida, que ninguém me paga psiquiatra no fim disto tudo.