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The Skin Game

Blogue português escrito por uma profissional de farmácia e dedicado à dermocosmética.

Começar na dermocosmética

Este não deixa de ser um post um pouco difícil de escrever, porque a verdade é que nós começamos na dermocosmética desde que somos recém-nascidos e nunca a largamos realmente. Vai haver sempre nem que seja um boião azul da Nivea por perto, portanto não há realmente aquele momento em que uma pessoa começa mesmo do zero nestas coisas.

 

Olhando para o meu caso, consigo definir dois momentos que foram quase um início nestas lides: a primeira vez que fui à farmácia comprar uma gama de cuidados de rosto para a minha pele super sensível e quase acneica quando tinha uns 13-14 anos e por volta dos 22-23 anos quando decidi que se calhar era altura de começar a procurar cuidados de rosto diferentes, até porque a minha pele tinha mudado bastante e os que usava já não eram adequados. Suponho que uma grande maioria das pessoas tem este último mais perto dos 30 em que pensa "olha, se calhar começava a usar alguma coisa na cara antes que as rugas comecem a aparecer".

 

De qualquer modo, aqui fica um pequeno guia de como podem começar nestas lides:

 

1. Determinem quais as necessidades da vossa pele

 

Eu sei que esta é provavelmente a mais difícil, mas espreitem este post para uma ajuda. Vai sempre ter a ver com aquilo que sentem que a vossa pele faz. E aqui fica uma mini checklist para procurarem questões que queiram ver resolvidas acerca da vossa pele:

  • excesso de oleosidade
  • poros muito visíveis
  • acne
  • pele rugosa
  • pele sem brilho
  • manchas
  • pele seca (dificuldade em absorver produtos, rugosa, perda de elasticidade, sensação de repuxamento)
  • pele desidratada (absorção muito rápida de tudo o que é colocado na pele, descamação, sensação de repuxamento)
  • rugas/rídulas
  • prevenção de fotoenvelhecimento
  • sensibilidade
  • rosácea
  • dermatite seborreica
  • psoríase
  • dermatite atópica

 

2. Procurem produtos adequados

 

Agora que já estabeleceram as vossas prioridades de acção, está na hora de encontrar produtos adequados. Em breve vou fazer um post sobre alguns ingredientes que devem procurar para cada questão, que infelizmente tudo o que eu gostava de ter aqui no blogue para usar como referência cruzada entre posts ainda não existe, mas prometo-vos que lá para sexta-feira ele sai.

 

3. Estabeleçam prioridades a nível de produtos

 

Claro que é muito giro ter uma colecção infinita de produtos que resolvem todos os problemas e mais algum, mas a menos que tenham orçamento infinito, isso não vai acontecer às primeiras.

Portanto aqui temos de estabelecer prioridades. O que é que precisam de comprar desde o início?

  • um bom agente de limpeza - aqui procurem em duas frentes: produtos adequados às vossas necessidades e produtos que sintam que seriam capazes de usar todos os dias sem vos dar a preguiça. Não adianta de nada comprarem o melhor bálsamo no mercado se depois olham para ele e pensam "eu não tenho paciência para puxar água quente e esfregar a cara depois de aplicar isto". Conheçam os limites da vossa paciência e pensem na aplicação em várias fases da vossa vida. Assim evitam gastar dinheiro desnecessariamente. Ah, e não esquecer que convém sempre evitar coisas que façam espuma e/ou que deixem a pele mesmo limpinha e a chiar, porque esses produtos estão a remover mais do que deviam da vossa pele. Uma dica: para peles oleosas, e por muito estranho que possa parecer, uma das melhores coisas que podem fazer é apostar num óleo de limpeza porque "semelhante dissolve semelhante". Para peles secas, os leites e bálsamos costumam funcionar muito bem.
  • um ou dois bons séruns - é com os séruns que vocês vão tratar aquilo que realmente vos preocupa, uma vez que têm o melhor poder de penetração. Apostem em marcas que investem em ingredientes específicos por oposição a "extractos de plantas raras apanhados à meia noite enquanto se dança a conga". Esse tipo de coisas dá perfeitamente para um hidratante, porque dele só se quer uma boa protecção e nutrição da pele, mas os séruns servem para funções específicas e é melhor apostar em ingredientes conhecidos e reconhecidos pela eficácia em tratar aquilo que vos preocupa.
  • um hidratante/óleo - dependendo da vossa preferência, podem optar por hidratante clássico em creme ou emulsão ou então por um óleo. Aqui já podem dar largas à imaginação dentro dos aromas que preferem desde que escolham um adequado à vossa pele. Há que ter noção das coisas básicas como se tiverem pele oleosa, afastem-se de tudo o que disser "riche", mas aqui têm mais liberdade. Lembrem-se que os óleos adequados funcionam muito bem em peles oleosas.
  • protector solar - existem protectores solares para todos os gostos e para todos os problemas de pele à face da terra, com vários graus de protecção, com cor ou sem ela, químicos ou físicos, com ou sem nanotecnologia, muitos deles preparados para servir de base à maquilhagem.
  • outros: dependendo daquilo que procuram ver melhorado, podem necessitar de um produto concentrado de aplicação localizada. Este tipo de produtos é muito comum em casos de pele acneica, hiperpigmentação ou pele envelhecida. Se tiverem algum problema localizado, podem optar por resolvê-lo com um destes concentrados em vez de comprarem um sérum específico.

 

4. Vão às compras em sítios que tenham bom aconselhamento

 

Um bom aconselhamento pode sempre dar uma ajuda extra no vosso auto-diagnóstico de pele (às vezes acertamos um pouco ao lado e anos de experiência da pessoa que nos está a atender podem fazer milagres pela nossa pele). Por outro lado, saibam que há limites para o aconselhamento e estão livres de dizer que não a algo. Fujam a sete pés daqueles que vos tentam impingir tudo dentro da mesma marca (ainda não percebi esse mito urbano de que temos de usar todos os produtos da mesma marca e da mesma gama para eles resultarem melhor - se não resultam sozinhos é porque lhes falta qualidade) ou que não sabem discutir princípios activos e fórmulas convosco.

O aconselhamento deve ser uma troca de experiências para chegar aos melhores produtos e não uma imposição de produtos de uma das partes. Mencionem produtos com os quais se deram bem no passado, discutam texturas e eficácia. Um bom conselheiro consegue dar resposta a isto tudo e facilmente chegarão a produtos adequados à vossa pele (não se esqueçam que sem o vosso feedback eles também não podem fazer milagres, digam-lhes o tipo de texturas com que se deram bem, refiram produtos dos quais gostaram, tudo isto ajuda a chegar ao produto mais indicado).

Não se esqueçam que podem sempre pedir amostras, mas que estas de pouco servem a não ser para perceberem se se dão bem com a fórmula (a nível de reacções alérgicas, textura e aroma). Não peçam amostras com o intuito de ver se resulta, porque resultados são coisa para se ver ao fim de um mês e não de dois dias.

Transferência de produtos entre embalagens

Existem diversos motivos que nos levam a transferir um produto da sua embalagem original para outra embalagem, entre eles o transporte de produtos em férias/viagens (que geralmente exige embalagens mais pequenas), ou o facto de não nos darmos bem com a embalagem original, etc. Só que a verdade é que existe alguma ciência nisto de transferir substâncias entre embalagens. Perdoem-me este post que é quase um tratado, mas prometo que vão ficar a saber algumas coisas importantes se o lerem todo.

 

Embalagem sem resíduos de outros produtos e limpa

 

Esta é lógica, certo? Só que temos de ver o que é o conceito de limpo neste caso... geralmente são produtos que vão ser utilizados na pele, certo? Aquilo que vos aconselho é que lavem muito bem a embalagem, eliminando resíduos de óleos e afins que pudessem estar contidos na fórmula anterior. Depois, passem muito bem por água para eliminar resíduos do produto que usaram na lavagem e, por fim, deitem um pouco de álcool, assegurem-se que atinge todos os pontos da embalagem e deixem evaporar. Uma vez que apenas o contacto prolongado com álcool danifica alguns tipos de plástico (nomeadamente o 1, 3, 6 e 7) e não danifica o vidro, esta lavagem rápida com álcool não deverá alterar a embalagem.

Nota: Na desinfecção do que quer que seja utilizando álcool, usem sempre, sempre álcool a 70º ou 70% (geralmente o da embalagem amarela) porque é o único que funciona como desinfectante. O álcool a 96º (que geralmente tem embalagem azul) não é um antimicrobiano mais poderoso só por ser mais concentrado, na verdade este álcool é realmente bom é para assar chouriço e pouco mais. Resumindo o mecanismo de acção, o álcool torna a membrana das bactérias permeável à água, fazendo com que entre água dentro delas e elas rebentem. Para isso é preciso que haja água suficiente para elas rebentarem, e isso só existe no álcool a 70º (em que 30% é água, ao contrário dos 4% do álcool a 96º).


Embalagem nova feita de material igual à original

 

Eu bem sei que esta não é fácil, mas é uma que realmente exige atenção. Uma pequena historinha relativamente a este facto: uma vez abri uma embalagem de amostra de um óleo e, como não o usei todo, deitei o que sobrou num potinho da TBS. Uns dias depois, quando fui limpar a casa de banho, notei que havia óleo por todo o lado à volta desse potinho. O que tinha acontecido? O óleo tinha corroído o plástico, tinha aberto um furo e tinha-se espalhado pela superfície.

Pronto, isto apenas para vos explicar que é um cuidado realmente necessário. O problema maior aqui é que, ao contrário do que aconteceu no meu caso, muitas vezes as alterações da embalagem e/ou do produto nela contido não são visíveis, ou seja, quem olhar para o produto até pensa que não houve qualquer alteração e pode continuar a utilizá-lo. Só que... o material da nova embalagem pode reagir com o produto que lá pusemos dentro e pode inactivar os compostos. Ou pior, pode modificá-los de tal forma que podem tornar-se prejudiciais à pele. E esta alteração pode dar-se em menos de 24h, por isso mesmo que pensem que é só para levar numa viagem de 2 dias, tenham cuidado.

Os produtos cosméticos são geralmente embalados no material mais adequado àquele produto, ou seja, num material que não reage com ele. Portanto aqui a regra é olhar para a embalagem e ver o que temos. Se a embalagem for de vidro, a forma mais segura é arranjar uma outra embalagem de vidro. Se for de plástico, já dá mais trabalho. Certamente conhecem aqueles símbolos no fundo das embalagens de plástico que geralmente são usados para fazer a separação e reciclagem. Pois são mesmo esses números que vamos utilizar, pois eles correspondem ao tipo de plástico que é utilizado na embalagem. Assim, os produtos contidos em embalagens com o símbolo 1, têm de ser colocados noutras embalagens que apresentem o mesmo símbolo e por aí fora.


Opacos vão para opacos

 

Já acabámos? Não, ainda há mais uma questão a ter em conta: alguns produtos são inactivados pela luz (o exemplo mais comum é o da Vitamina C, que é transformada pela luz e perde a sua actividade). Estes produtos são geralmente embalados em materiais opacos de modo a evitar a degradação por parte da luz. Por isso, por prevenção, todos os produtos que estejam embalados em materiais opacos ou vidro acastanhado (que é o chamado vidro âmbar tipo III e evita que a radiação chegue ao produto e o altere), têm de ser transferidos para materiais semelhantes. Bem sei que muitas vezes não é possível encontrar estes materiais opacos com facilidade, por isso deixo-vos um truque que se aprende em farmácia: quando não há material que proteja da luz, enrola-se a embalagem em papel de alumínio.


Nunca misturar produtos

 

Esta é uma recomendação final, que sei que muita gente opta por não cumprir, mas se eu escrever isto, pelo menos sei que fiz a minha parte ao avisar: não misturem produtos. Misturar dois tons da mesma base, por exemplo, não deve ter qualquer problema porque o que geralmente muda é apenas a quantidade de pigmento ou o tipo de pigmento, mas misturar dois produtos diferentes é decididamente um NÃO.

Imaginem apenas que se um óleo conseguiu corroer completamente o plástico do potinho TBS em poucos dias, imaginem o que dois produtos com ingredientes activos podem fazer entre si... Desde formarem substâncias novas por reagirem entre si (que podem ser prejudiciais para a vossa pele), a inactivarem-se mutuamente ou mesmo a nível de contaminação microbiana, porque os conservantes de um produto estão preparados para proteger aquele produto, não estão preparados para proteger uma mistura daquele produto e outra coisa qualquer. Se os cosmetologistas já têm dificuldades em misturar substâncias e fazer com que tudo corra bem (e eles sabem o que estão a misturar e quais as suas propriedades e com que substâncias aquele material reage), o comum humano terá certamente muitos mais problemas ao fazê-lo.

Em que produtos devo investir?

Depois de vos ter falado nos tipos e estados de pele e de vos ter explicado por que ordem devem aplicar os produtos nas vossas rotinas diárias, agora é altura de vos falar um pouco de onde devem investir o vosso dinheiro em termos de dermocosmética. Acreditem que eu sei o que é estar perdida neste mundo, se há cinco anos atrás me dissessem que eu iria saber a quantidade de coisas que sei sobre DC eu não iria acreditar, portanto não faz tanto tempo assim que eu era mais uma alma crente no marketing e disposta a dar mais dinheiro do que um produto valia, mesmo que não fosse para o meu tipo de pele ("ah, já ouvi falar bem deste produto, a rapariga tem pele seca e eu não, mas ela falou tão bem dele que deve ser mesmo bom" --> os maiores disparates que já fiz na vida aconteceram mais ou menos assim).

 

A questão na dermocosmética é que nunca sabemos bem para onde nos virar. Para o supermercado, que promete preços baixos e eficácia equiparável aos produtos que custam 10x mais? Para a farmácia, onde esperamos encontrar produtos de tratamento para problemas específicos e/ou pele sensível? Ou para a cosmética selectiva vendida em perfumarias que promete uma experiência e uma qualidade inigualáveis? A verdade mais absoluta que vos posso dizer neste caso é: depende do produto. Hoje em dia não se aplicam as questões de que acabei de falar. A farmácia não vende exclusivamente produtos de tratamento, os produtos de supermercado não são necessariamente baratos, a cosmética selectiva não é inigualável a preços bastante inferiores. E não vos posso sequer falar de marcas, porque mesmo dentro de cada uma delas há produtos certeiros e outros que me fazem querem dar com a embalagem na cara do responsável pela marca. Pessoalmente opto quase sempre por produtos de farmácia ou de cosmética selectiva (gamas mais acessíveis como Clinique ou Clarins).

 

Dito isto, e para não me dispersar mais, deixo-vos algumas indicações gerais de produtos onde devem investir o vosso dinheiro e em que produtos só valerá a pena insistir se gostarem de os usar. Em breve conto escrever sobre os ingredientes mais falados, para perceberem um pouco por que é que vale a pena investir em produtos que os contenham, mas por enquanto vamos a tipos de produtos.

 

Invistam:

  • sérum - se tiverem o orçamento extremamente limitado, mas conseguirem investir num produto, é no sérum que vão querer fazê-lo. Ao contrário do que acontecia há 10 anos atrás, em que os cremes hidratantes eram reis e senhores da eficácia de tratamento, hoje em dia os séruns são vistos como muito mais importantes, uma vez que a sua composição passa geralmente por uma fórmula simples com maior poder de penetração e uma maior percentagem de ingredientes activos. É aqui que vão veicular os ingredientes que realmente farão algo pela vossa pele, qualquer que seja a sua condição, por isso se querem investir em algo, vai ter de ser no sérum. Se possível, tenham um sérum para cada tipo de necessidade da vossa pele, eu uso diariamente um para a pele desidratada (com ácido hialurónico) e um antioxidante (com Vit C) que serve também como prevenção do fotoenvelhecimento.
  • agente de limpeza - também conto fazer em breve um post sobre os vários tipos de agentes de limpeza que existem (ou preferiam um vídeo? Avisem-me nos comentários ou por redes sociais), mas vocês precisam de algo que realmente limpe a pele sem a agredir e sem deixar resíduos. Com isto não quero dizer que devem ir a correr comprar um agente de limpeza que custe 40€ (se bem que se puderem e quiserem mesmo comprá-lo, força nisso, vejam é se é de qualidade antes de o comprarem). Mas quero dizer que o agente de limpeza não pode ser o primeiro que agarrarem ou aquele que estiver mais barato "até porque é para limpar a cara e todos eles fazem isso". Há coisas bastante boas por menos de 10€, mas por favor não agarrem no primeiro que vos aparecer.

 

Invistam caso haja mais algum orçamento:

  • protector solar - considerando que a ideia aqui é proteger a vossa pele, aconselho sempre a que invistam um pouco mais num protector solar. Além disso, se usarem habitualmente maquilhagem, vai servir também de base para ela e isso traz logo diferenças (geralmente os protectores solares com nanotecnologia são os mais fáceis de usar por baixo da maquilhagem por não terem a consistência típica de um protector solar).
  • tónico funcional - ele diz "funcional" por alguma razão. Mais de 80% dos tónicos à venda são absolutamente inúteis e só servem no caso de vocês gostarem mesmo de os usar por algum motivo. Mas saibam que o mais certo é que ele não esteja a fazer nada à vossa pele. Optem antes por tónicos esfoliantes (com alfa hidroxiácidos como o ácido glicólico ou láctico ou beta hidroxiácidos como o ácido salicílico) ou com ácido hialurónico e vão ver que há realmente uma alteração notória. Ou até uma água termal enriquecida como o Serozinc. Contudo, considerando que o tónico é considerado actualmente como um passo extra, sintam-se livres de excluí-lo completamente da vossa rotina se virem que o orçamento não dá para tudo.

 

Então e os cremes hidratantes? Bem, eu considero o creme como uma maneira de fornecer nutrientes extra à pele, mas actualmente com a existência de séruns não há grande necessidade de investir num super creme hidratante, porque o seu poder de penetração vai ser muito inferior.

Onde procurar informação sobre dermocosmética?

Olá de novo, estive ausente por motivos pessoais, mas andava com este post na cabeça há algum tempo e queria mesmo tê-lo por aqui para vos servir de guia, portanto cá vai, juntamente com um mini rant (ou não seria um post meu).

 

Ora bem, nestas coisas da internet, quem tem Google é rei. O problema é que a quantidade de coisas menos inteligentes às quais o Google vos pode levar é absolutamente disparatada e diria que representa cerca de 4/5 da informação que por aí anda. E olhem que contra mim falo, que ando há uns anos nisto e só agora me considero um bocadinho mais esperta em certos assuntos, assumindo publicamente a publicação de disparates nos quais embalei através de outros sites menos fidedignos. Mas com os anos uma pessoa aprende, e juntei um número razoável de fontes que me permitem sentir-me mais confiante naquilo que publico.

 

Enquanto profissional, facilmente me dirijo a livros (bíblias) de dermocosmética disponíveis em algumas bibliotecas como o "Handbook of Cosmetic Science and Technology", "Cosmetic Dermatology" ou "Cosmetic Dermatology: Products and Procedures". Além disso, tenho o acesso facilitado a artigos científicos dentro da área, que resultaram numa pasta do Google Sites absolutamente cheia deles. Por outro lado, isto não é o tipo de informação que uma pessoa normal procura (eu assumo-me como pessoa não normal neste campo, uma vez que além do conhecimento técnico e científico que tenho, também é uma área que me interessa e que portanto pesquiso com regularidade). A verdade é que esta coisa da ciência na cosmética é feita 70% de ciência e 30% de opinião, uma vez que é preciso filtrar os milhentos artigos com conclusões divergentes e eventualmente formar a nossa opinião sobre o assunto.

 

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Além destes livros mais técnicos, gostos de ter outros um pouco mais simples, ou em alguns casos, bastante mais simples. Seriam estes que vos recomendaria se me dissessem que gostavam de saber um pouco mais sobre dermocosmética quando não têm muitas bases científicas sobre o assunto e pretendem uma leitura mais leve. Falo-vos de livros como o "The Skin Type Solution", "The Beauty Aisle Insider" ou a minha última aquisição "Pretty Honest". Em termos de livros um pouco mais técnicos posso recomendar-vos o "Milady Skin Care and Cosmetic Ingredients Dictionary" (tal como o nome diz, é um dicionário de ingredientes usados em DC), "Cosméticos: Arte e Ciência" (bastante desactualizado, mas para quem quer uma primeira introdução não é mau e está em português), "Plantas e Produtos Vegetais na Cosmética e Dermatologia" (uma listagem relativamente intensiva de produtos vegetais usados em DC, que acho que complementa bastante bem o dicionário da Milady, com a vantagem de também estar em português).

 

Quanto a fontes online, é aqui que se dá o maior disparate. Já vi sites de revistas a dizerem disparates impensáveis (uma pessoa assumiria que, se são pagos para escrever, seria suposto escreverem alguma coisa de jeito e fundamentada, mas parece que não), já vi bloggers a dizerem que tudo o que recebem "é bom e cheira bem e têm mesmo de comprar agora", já vi gente em eventos a dizer disparates monumentais mas a ir a seguir fazer vídeos para lojas online como se fossem experts no assunto... e não me façam falar mais que ainda dá disparate. Dito isto, há umas quantas alminhas que sabem o que dizem e algumas delas até são umas fofas de umas portuguesas giras e inteligentes. Para quem prefere recorrer a fontes online, deixo-vos algumas e a nota de que é possível existirem outros bons sites que não estão citados aqui, portanto se conhecerem algum façam favor de contribuir para a lista na caixa de comentários:

 

E, por favor, não cedam às estratégias de scaremongering (basicamente espalhar notícias supostamente alarmantes, neste caso sobre "os 84625123 químicos que andas a pôr no teu corpo e te estão a matar lentamente e a levar à loucura a ponto de continuares a ler esta notícia e achares que isto é mesmo assim"). Há fundações/organizações/outras "ões" que se dedicam a procurar problemas, nem sempre relevantes, em tudo o que é ingrediente que se possa pôr no corpo. Por favor, parem de ler esses sites e as suas supostas descobertas alarmantes e horrorosas sobre as coisas que os governos não vos dizem. Tipos não usar parabenos. Sim, essa é uma delas que já ficou tão disseminada na cultura urbana que toda a gente acredita sem questionar. Questionem, pessoas, sempre. Incluindo aquilo que eu digo, como é óbvio, porque vocês têm sempre direito a ter opinião própria, mesmo que seja diferente da minha. De preferência, baseada em factos, porque senão correm o risco de parecer totós, mas cada um sabe de si.