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The Skin Game

Blogue português escrito por uma profissional de farmácia e dedicado à dermocosmética.

Perguntas frequentes: protecção solar

Já existe cá no blogue um post que fala sobre os melhores ingredientes e sobre os vários tipos de protecção. Aqui vamos responder a algumas das perguntas mais frequentes que me fazem acerca da protecção solar.

 

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Qual o factor de protecção que devo escolher?

Dever-se-á optar por um SPF30 ou superior, qualquer que seja o tom de pele. Se eu só pudesse escolher um factor de protecção para existir no mundo, seria o SPF30 – já protege de 97% da radiação e não dá a falsa sensação de segurança do SPF50, que protege de 98% da radiação. Pessoalmente uso SPF50 por ser muito branca e não ter uma pele sensível que posso reagir mal ao SPF50, mas não é necessário fazê-lo.

 

Protecção mineral ou química?

Antigamente para peles sensíveis era sempre recomendada a protecção mineral, com todos os seus defeitos (espalhabilidade difícil, efeito branco na pele e na roupa, etc). Hoje em dia estas características estão atenuadas em grande parte devido à diminuição do tamanho das partículas em processo de micronização ou nanotecnologia. Por outro lado, a protecção solar química evoluiu muito, tornando-se muito segura e apta para peles sensíveis (especialmente as triazinas e triazonas como o Tinosorb ou Univul). No fundo, desde que se escolha o protector com a tecnologia mais avançada, pode-se optar por qualquer um deles.

 

Devo reaplicar o protector solar no dia a dia?

Depende da exposição. O protector solar é degradado mediante contacto com radiação solar, o que significa que se aplicarmos de manhã, formos para o trabalho num escritório sem exposição solar directa (as janelas filtram parte da radiação, mas não toda) e voltarmos ao fim do dia, então a aplicação de manhã é provavelmente suficiente. Contudo, se estivermos expostos a radiação durante um tempo alargado, a recomendação é reaplicar a cada 2h.

 

Os protectores solares são resistentes à água/suor/toalha?

Existem ingredientes que conferem protecção solar que têm maior afinidade para a queratina do que para a água. Isto significa que têm menos tendência a passar da pele para a água, conferindo alguma protecção nestas situações. Contudo, por norma estabelece-se que essa protecção não dura mais de 40 minutos, ao fim dos quais a reaplicação é obrigatória. Qualquer protector deve ser reaplicado após secagem com toalha.

 

Posso aproveitar o protector solar do ano passado?

Como protector solar, não, já que os ingredientes que conferem a protecção degradam-se rapidamente. Não é que o creme se estrague, mas se o compraram como protector solar, já não o vão ter como tal. O período após abertura da maioria dos solares é de 12 meses, havendo alguns que duram 9 (lembro-me, por exemplo, da Bioderma). E antes que me perguntem "e como é que sei se a farmácia não está a vender solares do ano passado?" (juro que já me perguntaram isto várias vezes) - o que interessa é o período pós abertura. Claro que a data de validade também, mas essa basta pegarem na embalagem e verem. O facto do protector ser do ano passado não influencia nada desde que não tenha sido aberto.

 

A protecção solar impede a formação de vitamina D?

Esta é uma questão complicada e há cada vez mais artigos científicos sobre o assunto. Sim, usar uma quantidade adequada de protecção solar diminui exponencialmente a conversão da Vitamina D na sua forma activa (esta conversão dá-se graças à luz UV). Por outro lado, a questão é mais complicada do que isso, porque à medida que vão saindo cada vez mais artigos sobre o assunto, chega-se à conclusão que mesmo em populações muito expostas a luz UV e sem hábitos de protecção solar adequada, continuam a existir défices de Vitamina D. Há também outra parte a ter em conta: não podemos simplesmente parar de aplicar protector solar só porque existe risco de diminuição dos níveis de Vitamina D no corpo. Mantenham estes valores controlados por análises e, se necessário, ingiram suplementos de Vitamina D. Nada justifica aumentaram exponencialmente o risco de melanoma, especialmente quando existem formas de controlar a situação. Até porque uma grande maioria das pessoas que utilizam protecção solar não a utiliza nas doses correctas e há sempre alguma radiação a atingir a pele - e a converter a Vitamina D na sua forma activa.

 

Que tipos de produtos com protecção solar é que existem?

- Protectores solares propriamente ditos (emulsão/creme)

- Protectores para pulverizar/em bruma

- BB/CC Creams

- Hidratantes com protecção solar

- Bases com protecção solar (líquidas/compactas) – aqui não incluo bases em pó, porque é ridículo afirmar que um pó consegue produzir uma protecção solar adequada (sim, estou a olhar para vocês Lush e para todos os pós de maquilhagem com SPF - ganhem juízo)

O único problema de alguns hidratantes e maquilhagem com protecção solar é que utilizam apenas um ingrediente de protecção solar que confere alguma protecção UBA e UVB e podem dizer que tem protecção de largo espectro. Se quiserem optar por um produto que não seja especificamente protector solar, garantam que a "protecção de largo espectro" é garantida por mais do que um ingrediente, já que nenhum ingrediente sozinho consegue cobrir de forma eficaz todo o espectro de radiação.

 

Devo esperar algum tempo entre a aplicação do protector e a exposição ao sol?

No caso dos protectores minerais não há necessidade, no caso dos protectores químicos convém esperar 20-30 minutos entre a aplicação e a exposição solar.

 

Se colocar vários produtos com SPF a protecção aumenta?

Não, se forem aplicados com algum tempo de intervalo para absorção, o factor de protecção é igual ao factor máximo aplicado. Se forem aplicados quase em simultâneo, há um efeito de diluição e pode-se obter um factor mais baixo do que o aplicado teoricamente. Nunca em momento algum os factores de protecção irão ser somados.

 

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Texturas mais espessas protegem mais?

Não. A protecção solar não está dependente da nutrição - são ingredientes diferentes. A única vantagem numa textura mais espessa é que, exactamente por ser espessa, demora mais tempo a absorver e acabamos por nos aperceber se colocámos ou não protecção em toda a área corporal. Contudo, especialmente no rosto isso é uma questão que nem sequer se põe - se criarem um método de aplicação em que garantem que cobrem todo o rosto, não há razão nenhuma para uma textura espessa proteger mais.

 

Em que passo da rotina aplico o protector solar?

Deverá ser o último passo da rotina de rosto, antes da maquilhagem.

 

Pode-se aplicar protecção solar na zona do contorno dos olhos?

Sim e deve-se, já que é uma zona de pele muito fina que é menos resistente e que facilmente mostra os primeiros sinais de idade. Geralmente indicam-se os protectores minerais como sendo os mais indicados para esta zona - neste caso o efeito de reflexão de luz é prático, pois também ajuda a disfarçar as olheiras e acaba por não ter muitas desvantagens. Um hidratante de olhos com protecção solar já deverá ser suficiente e não é necessário adquirir um protector à parte para esta zona. E sim, apesar de geralmente ser recomendado que o creme seja aplicado na zona do osso, se querem protecção solar na zona do contorno dos olhos, vão ter de aplicar directamente - certifiquem-se apenas que não escolhem um creme muito rico para evitar olhos inchados e mília.

 

É necessário protector solar para o cabelo?

Não é absolutamente necessário, mas como tudo, ajuda. O sol danifica facilmente a queratina que constitui o cabelo, facilitando a quebra e as pontas espigadas. Além disso, os microcristais de sal que ficam no cabelo após as idas ao mar potenciam a acção da radiação, danificando ainda mais o cabelo. Não existe uma escala oficial de protecção solar (como o SPF no caso da pele), mas existem alguns sistemas como o KPF da René Furterer.

 

Existem protectores solares específicos para cicatrizes?

Não, o único conselho no caso de uma cicatriz é aplicar uma protecção elevada - SPF50, de preferência uma protecção mineral (óxido de zinco e dióxido de titânio). Contudo, se a cicatriz for recente, o ideal é não expor ao sol (geralmente recomenda-se evitar a exposição durante 1 ou 2 anos, dependendo do tamanho da cicatriz, porque a exposição solar vai escurecê-la e torná-la mais evidente.

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