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The Skin Game

Blogue português escrito por uma profissional de farmácia e dedicado à dermocosmética.

Diz que faço 29 anos

Parece que faço 29 anos hoje e, segundo as redes sociais, eu devia estar neste momento a entrar em pânico. De alguma forma era suposto eu estar aqui a hiperventilar porque é a última vez que a minha idade vai começar por um 2 e isso significa que a minha vida acabou (entra a música dramática, soam os alertas e surgem as caras de pânico). Vai daí, vocês sabem que eu sou mau feitio e portanto não estou muito virada para essa coisa do pânico de estar quase a fazer 30 anos (sim, que uma pessoa aparentemente não faz 29, faz quase 30). Ora portanto, decidi fazer uma lista de coisas giras que concluo ao chegar aos 29-ai-socorro-quase-30-córror.

 

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29 anos não são muitos anos (e 30 também não vão ser)

Se eu achasse que 29 anos eram muitos anos, isso significaria que estava a contar viver pouco mais, certo? Quando fazemos 5 anos também achamos que fazemos muitos. Fazer 29 não é fazer muitos anos porque eu quero chegar aos 80 e isto não anda sequer perto da metade dessa idade, portanto não podem ser muitos. Por favor parem de anunciar a chegada dos 30 anos como se fosse um evento cataclísmico e completamente alterador da vida.

 

Não sou a adulta que achei que ia ser, mas também descobri que nenhum adulto o é

De alguma forma achamos que os adultos vão ser pessoas responsáveis que sabem gerir perfeitamente o seu orçamento, não têm hobbies divertidos e que gostam de comer couves de bruxelas. Assim pessoas um bocado a dar para o chatas. 29 anos classifica-me como uma adulta e considero que o sou, só que não sou a adulta acha que achei que era requisito obrigatório, mas cheguei à conclusão que nenhum dos meus amigos (que são maioritariamente mais velhos do que eu) também não é. Ninguém tem como passatempo arrumar a casa, cozinhamos todos os dias porque não temos dinheiro para pagar a alguém que cozinhe por nós, continuamos a gostar de fazer quase tudo o que gostávamos em criança e só comemos couves de bruxelas porque já percebemos que ficamos gordos se vivermos de chocolates e pizzas.

 

A idade é o que fazes dela e o que fazes da tua vida

Quando fiz 26 anos, chorei. Bastante. Não interessa explicar-vos porquê, digo apenas que a minha vida não estava nada como queria e que os 26 anos para mim eram um marco importante. E fiz 26 anos e chorei de autocomiseração. Precisamente 15 dias depois disso, dei uma volta à minha vida e voltei a gostar de aniversários - e chorar baba e ranho num aniversário pode ser uma óptima chamada de atenção para o facto de estarmos mesmo a precisar de mudar de vida em vez de esperar que essa vida nos caia no colo.

 

Podes escolher ser melhor todos os dias

Cada vez mais percebo que muito daquilo que somos é perceptível logo dos primeiros meses de vida, mas também aprendi que, mesmo considerando o nosso âmago, podemos escolher todos os dias agir de forma melhor. Eu sei que há pessoas aqui no blogue que me lêem há 3 blogues e acho que elas são minhas testemunhas: eu posso ser muito mázinha. Por outro lado, sou cada vez menos. E isso vem não só da minha vida estar melhor e eu ser uma pessoa menos revoltada, mas também das pessoas que me rodeiam. Ter um namorado que puxa pelo melhor de mim tornou-me numa pessoa com vontade de ser melhor e ter amigos que me acompanham nesta jornada faz-me acreditar que estamos todos a evoluir para melhor. As pessoas podem não mudar, mas podem escolher agir de forma diferente.

 

A altura em que tive mais certezas na minha vida foi a adolescência

Depois disso fiquei com cada vez mais certezas que não sei nada e juntamente com isso aprendi também que a atitude de "eu sou assim, quem gostar tudo bem, quem não quiser põe na borda do prato" não traz nada de bom. Há limites, claro, que uma pessoa não se pode pôr em xeque por todas as opiniões que ouvir, mas a outra ponta da escala também não é boa. Se há coisa de que me orgulho nos últimos 5 anos é ter-me tornado numa pessoa mais compreensiva e ter aprendido que ouvir o outro lado é algo positivo (claro que podemos ouvir o outro lado e decidir que são uma cambada de idiotas). Mas querer ouvir o outro lado é bom, quanto mais não seja para ter a certeza que estamos certos ao manter a posição que tomamos.

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