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The Skin Game

Blogue português escrito por uma profissional de farmácia e dedicado à dermocosmética.

Review: Cicabio Creme da Bioderma

Tipo de produto: creme

Função: reparador, calmante

Ingredientes principais: Antalgicine, cobre, zinco, centelha asiática

Quando usar: em SOS como reparador

Embalagem: tubo

Quantidade: 40/100ml

Preço: 9/14€

Onde comprar: farmácias, Skin

 

 

Imaginem que a Bioderma vos dizia "escolhe o teu produto favorito e enviamos-te uma unidade" - bem, foi o que aconteceu como apoio à nossa comemoração do Dia do Blogue aqui no Porto. E uma pessoa normal pensaria logo em mandar vir a água micelar preferida ou a máscara da Sensibio (dois produtos que eu adoro e que passo a vida a recomendar). Eu não, eu escolhi o Cicabio Creme - e explico-vos porquê. Imaginem que têm todo um arsenal de cosméticos em casa (eu), mas que não gostam de viajar com muitos cremes atrás (eu) e por muita viagem que façam e muito creme que conheçam, escolhem sempre o mesmo creme para ir convosco de viagem para servir como um SOS anti-tudo-o-que-possa-correr-mal (eu). Esse creme é o Cicabio Creme, para mim.

 

Para todos os efeitos, o Cicabio é um creme bastante normal - é um creme reparador. Só que a diferença deste creme reparador para os outros todos é que a fórmula é mesmo, mesmo boa, o que faz com que ele funcione mesmo. Para terem noção, é possível usar como cuidado pós tatuagem, para ajudar a cicatrizar feridas, para pele queimada (seja escaldão ou queimadura por outro motivo qualquer), assaduras e outras tantas maleitas que impliquem uma necessidade de reparação.

 

A fórmula é muito simples, mas muito eficaz, tendo uma patente que ajuda a diminuir a comichão e a dor (não queiram comparar a um analgésico, mas realmente ajuda) e vários activos reparadores. A textura é em creme, o que permite uma boa espalhabilidade e evita o efeito esbranquiçado de alguns reparadores. Essencialmente, este é o tipo de creme que querem ter sempre por perto e é isso que me faz usá-lo com frequência e levá-lo comigo em todas as viagens. Eu sei que a Bioderma tem uma série de produtos entusiasmantes e havia muito por onde escolher, mas se eu escolhi este, acreditem, vale mesmo a pena.

 

* produto fornecido pela marca

Notas soltas - questionário da Vanity Fair

Andava há algum tempo para escrever algo sobre mim e não sabia bem o quê. Faz-me alguma confusão passar apenas informação factual para o lado de quem lê o blogue, porque quem me conhece sabe que estou em longe de ser um robô debitador de factos e opiniões sobre dermocosmética. Aliás, facto engraçado: dificilmente ver-me-ão a publicar algo relacionado com dermocosmética no meu perfil pessoal de Facebook - mais facilmente partilho uma piada de Harry Potter ou um post feminista do que algo sobre Dermocosmética. Bem, avancemos... a Caroline Hirons publicou uma foto de uma entrevista-questionário da Vanity Fair à Shonda Rhymes e eu achei piada às perguntas. Chamam-lhe o questionário de Proust, embora seja só levemente inspirado nele, e como nunca serei entrevistada pela Vanity Fair, aqui ficam as respostas a algumas das perguntas (podem encontrar a lista completa de perguntas aqui).

Qual é o teu conceito de felicidade plena?

Sentir que não precisaria de acrescentar nada à vida para estar feliz.

Qual é o teu maior medo?

Perder aqueles de quem gosto (caramba, isto começa logo a ser depressivo)

Qual é a tua característica que mais detestas?

Cair facilmente na negatividade.

Qual é a característica que mais detestas nos outros?

A prepotência de achar que se não concordam com algo na vida dos outros, têm direito a alterá-la e têm poder sobre ela.

Quem é a pessoa viva que mais admiras?

Chimamanda Ngozi Adichie.

Qual é a tua maior extravagância?

Ter uma colecção de artigos de dermocosmética que nunca mais acaba e ainda assim achar que é boa ideia comprar mais.

Qual consideras ser a virtude mais sobrevalorizada?

A capacidade de dar a outra face.

Em que ocasiões mentes?

Quando acho que dizer a verdade só traz mágoa.

Que frases ou expressões usas em demasia?

Podia dizer, mas como a coisa que mais digo e não devia é uma asneira, é melhor não escrever.

O que ou quem é o maior amor da tua vida?

Eu própria, e por muito egocêntrico que isso possa parecer, é uma coisa que me demorou muitos anos a atingir e tenho orgulho nisso.

Quando e onde foste mais feliz?

Agora.

Que talento gostarias de ter?

Cantar decentemente, de forma a poder usar a lista interminável de letras de música que tenho na cabeça de forma mais agradável.

Se pudesses mudar uma coisa em ti, o que seria?

A capacidade interminável do meu corpo arranjar doenças novas desde que me lembro de ser gente.

Qual consideras ser a tua maior conquista?

Ter-me sobrevivido às fases mais difíceis da minha vida.

Onde gostavas de viver?

No Porto com mais três zeros à direita no saldo da minha conta do banco.

Qual é o teu bem mais precioso?

Com esta pergunta concluo que, apesar de ser muito dada a comprar e ter coisas, não há nada em particular a que seja muito apegada.

Qual é a tua ocupação preferida?

Sou uma pessoa chata e previsível, portanto adoro coisas chatas e previsíveis como ler, ver séries, jantar com amigos e outras que tais de que toda a gente gosta.

Qual é a tua característica mais marcante?

Costumam dizer que é ser uma bolha de energia.

O que valorizas mais nos amigos?

Respeitarem-te por aquilo que és e não exigirem que sejas outra pessoa.

Quem são os teus escritores favoritos?

Chimamanda Ngozi Adichie, JRR Tolkien, George RR Martin, Terry Pratchett, Kate Morton, Brandon Sanderson, Afonso Cruz, Guy Gavriel Kay, Brian Michael Bendis.

Quem é o teu herói ficcional?

Lorelai Gilmore.

Máscaras - funções, tipos de máscaras e como usar

Tenho ideia de alguém me ter pedido informação sobre máscaras há já algum tempo, por isso aqui fica um post com alguma informação sobre máscaras, como por exemplo que tipos de máscaras existem no mercado e os vários métodos de utilização. Em breve faço um post com recomendações de máscaras para vários problemas diferentes.

 

O que são máscaras?

As máscaras são tratamentos intensivos que devem ser aplicados 1-2x por semana de forma a suprir necessidades extra da pele.

 

Funções das máscaras

Na verdade as funções das máscaras são essencialmente cobrir todas as coisas que uma pessoa procura numa pele saudável. Tal como os restantes produtos de cuidados de rosto, podemos encontrar uma infinidade de funções nas máscaras, nomeadamente: hidratação (pele desidratada), nutrição (pele seca), anti-envelhecimento (refirmantes, antioxidantes, anti-rugas), limpeza (geralmente para pele oleosa, mas pode ser aplicada a qualquer tipo de pele), calmante (pele hiperreactiva, escaldões), esfoliante (pele com textura irregular), luminosidade (tez baça) e branqueadora (para manchas).

 

Tipos de máscaras

- Máscaras que podem ficar no rosto - estas máscaras servem geralmente como tratamento intensivo de noite, substituindo o creme de noite. Geralmente aconselha-se que sejam aplicadas no rosto em camada fina, deixando actuar durante um tempo pré-determinado, sendo que após esse tempo deve remover-se o excesso de máscara com um disco de algodão, deixando a restante máscara a actuar durante a noite. Estas máscaras são geralmente as hidratantes, nutritivas, calmantes ou anti-envelhecimento.

- Máscaras para remover após um período de tempo - existem várias apresentações destas máscaras (sendo que as impregnadas no fundo são um subtipo destas máscaras, mas achei melhor separá-las). Exemplos destas máscaras são, por exemplo, as de argila (como a de argila verde que seca e deve ser depois removida com água), as peel-off (que criam uma película que deve ser removida após a actuação) e outras máscaras, principalmente de limpeza e esfoliação.

- Máscaras impregnadas - sheet maks e rubber masks são as versões mais conhecidas deste tipo de máscara, em que um material é impregnado com a fórmula e só tem de ser adaptado ao rosto (sheet masks) ou a pessoa tem de aplicar o sérum previamente e depois adaptar a máscara (rubber masks), deixando actuar pelo período de tempo indicado que pode ir de 5 minutos a meia hora ou mais. De seguida, dependendo da máscara, pode ser aconselhado massajar o produto restante no rosto para que seja absorvido ou 

- Patches de olhos ou lábios - são um subtipo das máscaras impregnadas, mas cuja área de actuação é o contorno de olhos ou lábios.

 

Como usar as máscaras?

Caso tenham apenas uma máscara, é fácil: sigam as instruções da máscara. Geralmente implica a sua aplicação em pele limpa e evitando o contorno dos olhos e lábios - sendo que a aplicação pode ser feita directamente com os dedos ou com um pincel (ou, no caso de sheet/rubber masks, apenas há que adaptar a máscara aos contornos do rosto).

Contudo, se forem como a consumidora habitual de dermocosmética que facilmente tem 2 ou 3 máscaras diferentes, então há que saber conjugá-las.

- Alternar máscaras - usar as máscaras de forma alternada, por exemplo usar cada uma delas uma vez por semana, mas em dias diferentes. Este tipo de método é o ideal quando se usam máscaras com o mesmo propósito ou que sejam mais fortes/concentradas de forma a não sobrecarregar a pele no mesmo dia.

- Multimasking - utilizar, numa só aplicação, várias máscaras diferentes consoante as necessidades das zonas do rosto. Por exemplo, usar uma máscara de limpeza na zona T e uma hidratante nas maçãs do rosto.

- Aplicar faseadamente - aplicar primeiro uma máscara, remover e de seguida aplicar outra. Ideal quando as máscaras podem potenciar o efeito umas das outras, por exemplo usar uma máscara esfoliante e de seguida uma hidratante.

 

*nota de pessoa com mau feitio: apesar de poder parecer pelo Instagram, usar risquinhos de máscaras coloridas para parecer um índio não é uma forma de utilização válida ou útil, só serve mesmo para fotos do Instagram e para gastar produto

Ácido hialurónico - o que é e quem deve usar

Quando perguntei quais os ingredientes dos quais tinham ouvido falar e de que tinham medo, algumas pessoas indicaram-me o ácido hialurónico. Na altura fiquei surpresa e perguntei por que tinham medo do ácido hialurónico e responderam-me que se perdiam no meio de tantos ácidos. A verdade é que, estando há tanto tempo na área da saúde, por vezes esqueço-me que quem não tem conhecimentos na área da química não tem obrigação nenhuma de saber certos aspectos da dermocosmética, como por exemplo que lá por um ingrediente se chamar "ácido X" não quer dizer que vá ser agressivo para a pele. Mas é um facto, quem vê ácido hialurónico, vê ali a palavra ácido, por isso vamos lá explorar este ingrediente que não tem nada a ver com o que muita gente acha que ele é.

 

 

O ácido hialurónico é um glucosaminoglicano que faz parte do complexo NMF (natural moisturizing factors) na pele. Ou seja, é uma substância que está naturalmente presente na pele, que é produzida pelo nosso organismo e tem como função manter os níveis óptimos de hidratação da pele. Pelas suas características, o ácido hialurónico consegue reter até mil vezes o seu peso em água, o que significa que é um componente muito importante no que diz respeito a reter água na pele para que não ocorra desidratação. E é esta a sua função principal: hidratar a pele. Então, mas se a pele já produz ácido hialurónico, por que é que temos de lhe dar mais? Porque com o avançar da idade a produção é cada vez menor.

 

Esta sua função de hidratação torna-o no primeiro passo para um efeito anti-envelhecimento - uma pele desidratada forma rugas com muito mais facilidade, por isso manter os níveis óptimos de hidratação é uma das questões mais importantes nos protocolos anti-envelhecimento. Além disso, o ácido hialurónico tem tendência a potenciar o efeito de outros ingredientes, daí ser usado em conjunto com a maioria dos restantes activos anti-envelhecimento, além de também ter alguma actividade como anti-oxidante.

 

Por ser produzido naturalmente pela pele, a tolerância a este ingrediente é excelente, devendo ser usado por todas as pessoas - não há qualquer desvantagem em utilizar ácido hialurónico e, caso tenham feito alergia a algum produto que o contenha, fiquem certos de que não terá sido ao ácido hialurónico, mas sim a outro ingrediente na fórmula.

 

Chama-se ácido? Chama, mas não tem propriedades exfoliantes de qualquer espécie, uma vez que é um ácido fraco, portanto deve ser desagrupado dos restantes ácido que geralmente fazem parte das fórmulas e têm como função fazer um efeito peeling.

 

O ácido hialurónico pode ser encontrado também sob a forma de hialuronato de sódio ou sódio acetil hialuronato, além de estar disponível no mercado em 3 tipos de apresentação (cadeia longa para hidratação superficial, cadeia curta para uma acção mais profunda e nano encapsulado para chegar às camadas inferiores da pele), sendo que o ideal é uma combinação dos 3.

 

Para uma lista de produtos com ácido hialurónico, podem espreitar esta: Produtos para peles desidratadas