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The Skin Game

Blogue português escrito por uma profissional de farmácia e dedicado à dermocosmética.

Review: Bioderma Hydrabio Eau de Soin SPF30

Tipo de produto: spray para reforçar a protecção solar
Função: protector solar
Ingredientes principais: carbómero, glicerina
Quando usar: quando necessário
Embalagem: embalagem com pulverizador
Quantidade: 50ml
Preço: 19€
Onde comprar: farmácias, Skin

Esta review estava prometida há muito, mas quis submeter este produto a testes intensivos antes de escrever a opinião, já que a fórmula antiga deste produto tinha gerado vários problemas, entre eles o entupimento do sistema ao fim de algum tempo (e isso é coisa que realmente não dá para acelerar por muito boa vontade que se tenha de mandar a review cá para fora).

 

Vamos dizer as coisas de forma fácil: as boas notícias são que a fórmula é mesmo muito melhor e que aparentemente não entope, as más notícias são que ainda assim continuo a achar que este produto não é ideal para pele oleosa. Vocês por esta altura já sabem que entretanto já tinha testado a concorrência a este produto da LRP (review aqui) e é impossível para mim não estabelecer de imediato uma comparação entre os dois. Em termos de sistema e aplicação, este ganha aos pontos ao da LRP, uma vez que não é aerossol e acho que a bruma é muito mais uniforme e é fácil de garantir que cobriu todo o rosto - e quando falamos de protecção solar isto é um aspecto mesmo muito relevante.

 

Em termos de adaptabilidade a tipos de pele, continuo a achar que, mesmo depois da reformulação, este produto continua a deixar a pele ligeiramente brilhante (embora esteja muito, muito afastado das histórias que me contaram da fórmula antiga). Este produto acabou reencaminhado para a minha mãe, que o declarou oficialmente como a melhor coisa que lhe dei nos últimos tempos. Para ela, que tem pele seca e sofre mesmo muito com o calor, a bruma não só serviu de reforço de protecção, mas também como forma de se refrescar. Desde que lhe ofereci isto, cerca de 3 ou 4 dias antes de ela ir para a praia, tem andado sempre com ele na carteira para onde quer que vá.

 

Se tiverem pele oleosa, continuo a achar que existe uma alternative melhor no Anthelios, mas se tiverem pele normal a seca, este é o companheiro ideal para o reforço da protecção solar, mesmo por cima da maquilhagem.

 

*produto fornecido pela marca

Review: The Body Shop Drops of Youth Liquid Peel

Tipo de produto: esfoliante
Função: remover células mortas à superfície da pele
Ingredientes principais: carbómero, glicerina
Quando usar: 2-3x/semana
Embalagem: plástico com doseador
Quantidade: 145ml
Preço: 19€
Onde comprar: lojas The Body Shop

 

Primeiro que tudo há que fazer um disclaimer (e quem me segue no Facebook já sabe do que falo, mas não têm obrigação de me seguir por lá): este produto foi recebido ao abrigo de uma parceria que já não existe. Batalhei muito comigo mesma sobre se colocava ou não esta review no ar porque não é positiva e não quero passar a ideia de que agora que terminaram a parceria comigo, é tudo mau. Isto não é ressabiamento de forma nenhuma e foram as leitoras que acabaram por me convencer a publicar isto porque acreditam que as reviews aqui são imparciais. São e continuarão a ser, obrigada pelo voto de confiança a quem se manifestou nesta questão. Vamos então à review...

 

Este seria um produto com o qual eu não teria grandes problemas caso tivesse outro nome e fosse apresentado de outra forma. Porque o grande problema do produto não é o produto em si, que até tem uma fórmula engraçada e oferece uma alternativa interessante, mas não consigo suportar o facto de estar a ser comercializado como algo que definitivamente não é. Portanto vamos primeiro ver a forma como é comercializado... o produto chama-se "liquid peel", o que faz associar imediatamente a peelings líquidos (geralmente com ácidos em concentrações eficazes numa apresentação líquida que deve ser aplicada com um disco de algodão). Na descrição do produto podemos ler que "88% das mulheres que testaram sentiram imediatamente que as células mortas foram removidas". Atenção, não diz que as células mortas são eliminadas, mas sim que as pessoas que testaram acharam que sim. E isto é o grande problema deste produto, porque vive de criar uma ilusão que, quem não percebe de dermocosmética, acha que é verdade.

 

Então vamos àquilo que este produto realmente é para perceberem onde quero chegar com isto das ilusões. O primeiro aspecto a ter em conta é que a fórmula deste produto não contém qualquer ingrediente com acção esfoliante química. Supostamente este produto deve ser espalhado no rosto com uma massagem e deve continuar a ser massajado até que apareçam resíduos. Aquilo que ele faz é um processo muito simples: a fórmula contém agentes viscosos e uma quantidade bastante elevada de álcool. Ao espalhar o produto na pele, o álcool evapora e o resto dos ingredientes acaba por formar uma espécie de película que, com o facto da pele estar a ser massajada, acaba por esfarelar e esfolia suavemente a pele de forma mecânica.

 

A base aquosa do produto permanece lá, dando o aspecto de que o produto é apenas aquele líquido líquido, e surgem uns "farelos" brancos e acinzentados (da sujidade que agarraram). Contudo, qual é a mensagem que se está a propagar? Que aqueles resíduos que surgem são pele morta que está a sair por causa do "peeling". Gente, se a pele morta saísse com essa velocidade e em pedaços, vocês estavam no consultório de um dermatologista a fazer um peeling de grau médico e não em casa a fazer uma esfoliação que nem vermelhas vos deixa. E é precisamente aqui que está o problema: comercializar um produto com um nome que indica um tipo de acção e ter um método de acção que mimetiza essa falsa acção é estar a aproveitar a falta de conhecimento de quem compra os produtos.

 

Dito isto, este não é o único produto com a mesma técnica, pois ainda ontem falaram-me de outro com as mesmas características (que acabou por ser o que despoletou o surgimento deste post). Por favor, desconfiem sempre das coisas, se vos parecer bom demais é porque provavelmente é. Um peeling que não vos deixa sequer vermelhos mas tira camadas de pele morta não é algo que exista (pelo menos por enquanto).