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The Skin Game

Blogue português escrito por uma profissional de farmácia e dedicado à dermocosmética.

Passatempo de aniversário com a YouLoveYou

Este mês o The Skin Game faz um ano, e como tal estamos a celebrar com alguns passatempos (sim, ainda vem aí mais). Já podem participar na giveaway de uma gift box da YOUTH LAB. que está a decorrer no Facebook e têm aqui mais um, desta vez com a contribuição da YouLoveYou, uma loja de dermocosmética online baseada aqui no Porto. E o que é que temos para vos oferecer? Uma água micelar da linha Hydrabio da Bioderma de 100 ml e uma ampola Flash da MartiDerm.

 

Regras: O passatempo tem início hoje e termina no dia 23 de Junho às 23h59. As partilhas deverão ser feitas em modo público para serem válidas, só é permitida uma entrada por pessoa e apenas poderão concorrer pessoas que tenham morada em Portugal Continental ou ilhas. O vencedor será escolhido via random.org, será divulgado neste post assim que possível. Será contactado via e-mail através do contacto que fornecer, tendo 72 horas para reclamar o prémio. Caso não seja reclamado em tempo útil, o sorteio voltará a ser efectuado e um novo vencedor será seleccionado.

Páginas de Facebook a seguir:

The Skin Game

YouLoveYou

 

 

Isotretinoína - a experiência da Denise Martins

A Denise Martins é uma leitora de há muitos anos (e um dia cruzámo-nos num autocarro às 8h da manhã, por isso ela já me viu no meu pior estado de zombie) e quando vi esta foto dela no IG enquanto preparava os posts sobre acne, percebi que tinha de a convidar para partilhar convosco a experiência dela no que diz respeito à utilização de isotretinoína. Por isso, sem mais demoras, obrigada Denise por teres aceito o meu convite e deixo-vos entregue a ela :)

 

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denise isotretinoina.JPG

 

Antes de mais, Ana, muito obrigada pelo convite. O The Skin Game é, para mim, um blog de leitura obrigatória e foste tu a grande responsável por ter começado a interessar-me pelo mundo dos cosméticos e dos blogs, com o BodyshopMania :)

 

Mas vamos seguir com o tema do post.

 

  1. Como foi a evolução da acne na tua vida e que tipo de produtos e tratamentos experimentaste antes de passares para a isotretinoína?

 

Lembro-me de ter acne desde a minha adolescência mas como não era algo que me tirava o sono, fui adiando a ida ao dermatologista. E para mim, não era acne. Tinha crises ocasionais, em que ganhava imensas borbulhas e depois tinha de lidar com as manchas. Sim, para mim, o pior eram as manchas e não as borbulhas, em si.

Lembro-me que, aos 18 anos, umas semanas antes da mudança para Portugal, tive de renovar o BI (isso foi em 2008). Foi nessa altura que tomei a consciência que tinha algo para além das crises de borbulhas da adolescência. Durante 5 anos tive de olhar para aquela fotografia do BI, e pensar: “Não acredito que sou assim”. Só que, entrando numa nova fase da vida, em que ia viver sozinha, num país diferente do meu e, principalmente, com os tostões contados, achei que a melhor opção seria disfarçar as borbulhas. Reparem que eu disse “disfarçar” e não “procurar soluções enquanto não vou ao dermatologista”. Para mim era mais fácil entupir a cara de base ou de creme com cor (ainda não tínhamos tido o boom dos BB Creams) e sair pelas ruas do Porto, sentindo-me a última bolacha do pacote. A expressão “rotina de limpeza e hidratação” não existia no meu vocabulário. E assim continuou durante mais ou menos 2 anos.

Foi em 2010, quando comecei a ler blogs como o BodyshopMania, MakeDown, Pindérica e Coisas e Cenas que o meu interesse e preocupação com a pele surgiu. Mas como o meu budget era limitado, comecei com os produtos da The Body Shop (fiz o cartão da loja e aproveitava sempre as promoções). Eu comprava tudo o que dizia “matificante” e “anti-acne” sem nunca saber ao certo que cuidados a minha pele precisava. Eu tinha a linha completa de Tea Tree e apesar de sentir que estava a agredir em demasia a minha pele, achava que tinha de ser mesmo assim. Que com o tempo, aquilo ia ao lugar.

Tinha sempre uma ou duas borbulhas na zona do queixo. Sempre. Depois vinham as manchas. Mesmo quando não espremia (casos raros), ganhava manchas. Eu estava convencida que com o tempo as borbulhas iam à vidinha delas, afinal já estava na casa dos 20. Já não era adolescente. E essa esperança continuou até o final da faculdade (2014). Depois comecei a trabalhar e como já tinha um budget maior, comecei a experimentar produtos novos. De farmácias, de perfumarias, etc. sem nunca saber o que realmente precisava. Já tinha uma rotina completa de dia e noite, usava protetor solar de vez em quando mas ainda não tinha ido ao dermatologista. Depois de começar a trabalhar, já não podia usar a falta de dinheiro como desculpa para não ir ao dermatologista. Foi mesmo desleixo da minha parte.

Só em Novembro de 2015, quando decidi regressar a Cabo Verde de vez, que resolvi ir ao dermatologista. Fui, conversámos sobre os possíveis tratamentos, fiz algumas análises e decidimos que o melhor caminho seria mesmo a Isotretinoína.

 

  

  1. Foi difícil a decisão de avançar com o tratamento? Sentiste-te acompanhada antes e durante?

 

Por acaso, a decisão até foi fácil. Tinha mesmo de ser. Eu já tinha cometido demasiados erros com a minha pele e não era hora de acobardar-me. O acompanhamento durante o tratamento é que não ia ser fácil, eu já sabia. Tinha viagem marcada para Dezembro de 2015. Comecei o tratamento na última semana de Novembro. Então, o dermatologista fez-me uma receita para os 6 meses de tratamento e eu comprometi-me não apenas com ele, mas principalmente comigo, em seguir tudo à risca. TUDO.

Também prometi-lhe que, se regressasse a Portugal, o consultório seria das primeiras paragens.

 

 

  1. Fala-nos um pouco do tratamento de acordo com a tua experiência. Duração, efeitos secundários, evolução...

 

O meu tratamento teve uma duração de 180 dias divididas em 3 períodos de 60 dias, em que as doses iam diminuindo:

  • 30 mg durante 60 dias
  • 20 mg durante 60 dias
  • 10 mg durante 60 dias

 

As 3 primeiras semanas foram complicadas. A acne piorou, tive de aprender a lidar com lábios ressecados e tinha de passar o Natal e a Passagem de Ano sem ingerir álcool. O médico disse-me que o consumo de álcool tinha de ser o mínimo possível porque podia provocar danos graves ao fígado. Mas eu estava focada em tirar o máximo partido do tratamento que decidi que o consumo ia ser zero. Não é tão glamoroso brindar com suminho de laranja em vez de champanhe na Passagem de Ano, mas olhem que há coisas bem piores :-p

Considero-me uma pessoa muito sorridente. Rio-me por tudo e por nada e devo confessar que o que mais me custou foi conter esse meu lado para não rasgar a boca cada vez que sorria. Doía. Muito. Cheguei a gastar uma embalagem de bálsamo labial a cada 3 semanas. E também tive episódios de sangramento nasal. Não foi grave, só não tem piada trocar os lençóis da cama 2 vezes em 2 dias. Mas como disse, há coisas bem piores e considero-me com sorte por só ter tido esses efeitos adversos.

A partir do 2º mês a acne foi diminuindo e as as manchas foram-se atenuando (Yaaaaayyyy!!!).

A partir do 3º mês e até o final do tratamento, a pele começou a ficar bem lisinha e quase sem manchas. Surgiram uma ou duas borbulhas mas desapareceram logo. Nem as manchas ficaram.

Agora, com o término do tratamento, vou ter de encontrar um dermatologista na ilha onde estou e fazer mais umas quantas análises para ver se está tudo ok.

 

                                                                                 

  1. A rotina de cuidados de rosto tem de mudar drasticamente durante o tratamento. Que produtos recomendas para quem está a pensar iniciá-lo ou já esteja a fazê-lo?

 

Vou dar o mesmo conselho que o dermatologista me deu: simplificar. O meu tratamento baseava-se nas cápsulas mas o dermatologista recomendou-me os cosméticos que achou que se adequavam ao meu caso. Cada pele é uma pele, então para quem está a começar ou para quem já começou, o melhor mesmo é perguntar ao dermatologista.

 

No meu caso, ele fez a seguinte recomendação:

 

À parte dessas recomendações, cerca de 2 vezes por semana, uso um esfoliante químico (Caudalie Glycolic Peel Mask ou Doux Exfoliant da Clarins) porque a pele está demasiado sensibilizada para levar com um esfoliante físico. Nos dias em que faço a esfoliação, junto duas gotinhas do Lotus Face Treatment Oil da Clarins ao meu hidratante da Bioderma e a minha pele bate palminhas de alegria

 

 

  1. Alguma última nota ou conselho que queiras deixar a quem nos lê?

 

Sim, um conselho muito importante. Não façam como eu. Não sejam desleixadas(os) com a vossa pele. É a única que têm. Nem sempre temos a disponibilidade financeira para um tratamento exaustivo, mas se pensarmos a longo prazo, acaba por compensar.

Não terminei o tratamento há tempo suficiente para dizer que estou completamente “curada”. Só daqui a uns meses. Mas a liberdade e o à vontade que sinto com a minha pele, neste momento, é indescritível e não tem preço.  Apetece-me usar maquilhagem? Uso. Não me apetece usar? Não uso. Sinto-me extremamente confortável das duas maneiras. E o mais importante: passei a perceber melhor a minha pele e quando se queixa, já tenho a noção do que possa ser.